Greve de fome é um "grito de revolta". Enfermeiros estão a ser "escravos no trabalho"

Duarte Gil Barbosa é o segundo enfermeiro a anunciar uma greve de fome. Decidiu fazê-lo como mais uma forma de luta e por acreditar que enfermeiros estão a chegar a "um limite de exaustão".

Duarte Gil Barbosa vai começar uma greve de fome de três dias, junto à Assembleia da República, para lutar contra a forma como os enfermeiros estão a ser tratados. "É o meu grito de revolta perante tudo o que tem acontecido nos últimos tempos à nossa profissão, mas a situação tem agravado muito também por culpa do Ministério da Saúde e do Governo", admite o profissional da área da Saúde.

Em declarações à TSF, o enfermeiro do Hospital São João, no Porto, admitiu que a indignação e o desespero o levaram a tomar a decisão. Porém, assume, tem a "perceção clara de que as lutas não se vão esgotar só com a greve de fome". Duarte Gil Barbosa assegura que há "outras formas de luta e [que] os enfermeiros vão continuar a lutar".

"Depois de uma greve de novembro e dezembro, toda esta questão da requisição civil, da ilegalidade, da ilicitude... nós já fomos chamados de tudo, de imorais, de cruéis, de selvagens e saber que alguns colegas, mesmo que estiveram em greve e a prestar serviços mínimos, correm o risco de verem retirado o seu vencimento e terem processos disciplinares é inaceitável", revelou.

Na opinião de Duarte Gil Barbosa "os enfermeiros estão a chegar a um limite de exaustão", o que leva a ponderar até "abandonar o serviço".

Além do que tem sido feito até agora, o enfermeiro refere que será ainda possível travar as horas extra, o trabalho para redução da lista de espera e não fazer mais do que o horário de trabalho normal.

"Muita gente está a pensar fazer isso porque temos sido constantemente ultrajados. Passa a imagem para a opinião pública de que somos arruaceiros, de andamos a matar. A mim até de assassino já me chamaram", conta o enfermeiro.

Há 22 anos na profissão, Duarte Gil Barbosa tem uma especialidade da enfermagem e revela que ganha o mesmo que "um colega de início de carreira ganha: 1200€ mas chega a haver meses que nem 1000€ tiro de vencimento".

"Muitos de nós estamos a ser escravos do trabalho", conclui.

Em solidariedade com Carlos Ramalho, o presidente do SINDEPOR (Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal), os enfermeiros promovem, no próximo sábado, uma vígilia nacional, com iniciativas em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Viseu, Faro e Funchal.

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