Hospital de Faro sem urgência a neurocirurgia nos próximos dias

A ausência de serviço fica a dever-se ao facto de não estar nenhuma equipa escalada para o serviço de urgência.

O alerta partiu da diretora em gestão do serviço de neurocirurgia do Hospital de Faro. Em declarações à agência Lusa, Alexandra Adams diz "que é uma situação crítica e o hospital vai mesmo ficar sem o serviço porque não há condições para trabalhar".

Na opinião da responsável, o facto de não ter sido acautelada a presença de uma equipa de neurocirurgia nas urgências, "é de particular relevo, numa altura de fim de semana prolongado em que a região do Algarve é um dos destinos turísticos mais procurados do país".

Durante o feriado e fim de semana, o Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, acolhe a ronda portuguesa do campeonato do Mundo de resistência de motociclismo, onde participam cerca de 100 pilotos, e onde são aguardados cerca de 50 mil espetadores.

Alexandra Adams, que em março pediu a demissão do cargo de diretora do serviço de neurocirurgia do Hospital de Faro, "por falta de condições para assegurar o serviço", referiu que a "situação se tem agravado, apesar de ser do conhecimento do conselho de administração, da administração Regional de Saúde de Faro e do próprio Ministério da Saúde.

Segundo Alexandra Adams, continuam a faltar anestesistas e um conjunto de circunstâncias para assegurar o serviço, e acusa o conselho de administração do hospital de "não ter tido abertura para ouvir e analisar as soluções que lhe têm sido apresentadas".

Alexandra Adams aponta as dificuldades de funcionamento do hospital.

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A cirurgiã acrescentou que, "além da falta de anestesistas, há uma série de problemas, como a incapacidade para resolver o problema dos doentes que esperam há meses para serem operados, e que se agravaram com a entrada em funções do novo conselho de administração".

A médica desafiou ainda o ministro da Saúde a tomar uma posição e a pronunciar-se sobre os problemas existentes no Hospital de Faro.

À TSF, fonte do gabinete do ministro remeteu para a Administração Regional de Saúde do Algarve uma reação a esta notícia uma vez que o ministério ainda não tem conhecimento oficial desta situação.

Relativamente aos problemas existentes no hospital de Faro, a mesma fonte sublinha que o ministério está "a fazer o máximo possível para tentar obviar os problemas do Algarve, que já não são de agora".

Contactada pela TSF, a Administração Regional de Saúde do Algarve remete para um comunicado que será emitido brevemente pelo Hospital de Faro.

Também o bastonário da Ordem dos Médicos reagiu a esta notícia. À TSF, José Manuel Silva lembra que a Ordem tem alertado para a necessidade "de serem tomadas medidas para fixarem os médicos ao Serviço nacional de Saúde".

"Os últimos quatro anos foram muito difíceis para o centro hospitalar do Algarve porque não foram tomadas medidas e deveriam ter sido. Agora não é fácil resolver o problema no imediato, mas há que implementar medidas para resolver esta situação até porque o Algarve não pode, sobretudo no verão, estar desprovido de especialidades absolutamente nucleares como é o caso de neurocirurgia", acrescentou José Manuel Silva.

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