Aplicação da proposta de formação para o uso de desfibrilhadores vai demorar

Coordenador do grupo de trabalho confia na reação da sociedade e alerta que vão ser precisos mais recursos.

A aplicação da proposta para que a formação para o uso de desfibrilhadores, por parte de quem tira a carta, seja obrigatória vai demorar algum tempo a ser posta em prática. Quem faz o alerta é o coordenador do grupo de trabalho que apresentou a proposta.

João Morais esclarece à TSF que, no caso dos novos condutores, vai ser necessária uma articulação entre as escolas de condução e as escolas certificadas para dar a formação em causa. Para o coordenador, e caso a proposta seja aceite, o número de formadores existente pode não ser suficiente, assim como os recursos do INEM, mas acredita que a sociedade civil vai saber dar resposta às necessidades.

"A sociedade civil vai mexer-se cada vez mais. Há 10 anos atrás não havia escolas de reanimação, agora há variadíssimas. Se eu tiver aqui 50 mil pessoas para formar, como é que eu faço? É óbvio que não vai ser de um dia para o outro. É um processo, andamos nisto há 10 anos, espero que não andemos mais 10, mas vamos precisar aqui de algum tempo", relembra.

Outra das preocupações com a proposta é a generalização do uso de desfibrilhadores e todas as dificuldades e riscos que daí possam advir. Esta é uma questão que João Morais minimiza porque "a tecnologia chegou de tal maneira longe que se tornou muito fácil de utilizar. Os aparelhos falam, interagem com o operador. Se as pessoas seguirem rigorosamente o que o aparelho lhes diz, a probabilidade de erro é mínima", garante.

Este avanço tecnológico é, aliás, a razão pela qual este grupo de trabalho propôs que os aparelhos passassem a ser utilizados, "em situações excecionais, por qualquer cidadão", ainda que com uma importante ressalva: "sempre com controlo médico. Liga 112 e o 112 é que lhe vai dizer o que fazer".

Incluídos nesta proposta, que está agora em consulta pública, estão além de novos condutores, grupos profissionais como as forças de segurança.

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