Sociedade

Cristas critica "descoordenação muito grave" sobre recolha de corpo no velório

Para a líder do CDS, estas situações mostram a desarticulação que existe entre os vários organismos e departamentos do Estado.

A presidente do CDS-PP criticou a "descoordenação muito grave" entre "diferentes departamentos" do Estado, que levou a que o corpo de uma das vítimas do surto de 'legionella' tenha sido recolhido pela polícia durante o velório.

"São situações muito desagradáveis, absolutamente lamentáveis, que mais uma vez mostram desarticulação no funcionamento dos organismos públicos, de diferentes departamentos, é certo, mas é o Estado que está na berlinda e está a evidenciar alguma descoordenação muito desagradável e muito grave", afirmou Assunção Cristas, em declarações aos jornalistas à margem de uma visita à Web Summit, em Lisboa.

Por isso, sublinhou, "era importante que vários organismos e departamentos do Estado se pudessem coordenar de outra maneira".

O corpo de uma das vítimas mortais do surto de 'legionella' no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, foi recolhido na terça-feira pela PSP quando estava a decorrer o velório em Campo de Ourique, em Lisboa, por ordem do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP).

Questionada se este episódio reforçava os argumentos da moção de censura ao Governo que o CDS-PP apresentou no final de outubro depois dos incêndios florestais que, durante o verão, provocaram a morte a mais de 100 pessoas, Assunção Cristas disse que o que "o partido entendia nessa altura continua a entender".

"Sabemos ler aquilo que foi uma confiança no Governo expressa no parlamento quando foi votada a nossa moção. Não é por isso que mudamos de opinião em relação aquilo que é o mau funcionamento do Governo à cabeça do Estado e continuaremos a fazer oposição e a sinalizar as alturas em que o Estado não está a comportar-se à altura e a estabelecer confiança nos cidadãos", declarou a presidente do CDS-PP.

O ministro da Saúde lamentou já o "incómodo e perturbação" causado à família da vítima de 'legionella' que se encontrava a ser velada na terça-feira.

Adalberto Campos Fernandes lembrou contudo que "é fundamental que o Ministério Público cumpra o seu trabalho e compreenda o que falhou ou correu mal" no surto de 'legionella' no hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

Um surto de 'legionella' foi detetado no sábado no São Francisco Xavier, estando confirmados 38 casos, com dois óbitos e cinco doentes internados nos cuidados intensivos.

A 'legionella' é uma bactéria responsável pela doença dos legionários, uma forma de pneumonia grave que se inicia habitualmente com tosse seca, febre, arrepios, dor de cabeça, dores musculares e dificuldade respiratória, podendo também surgir dor abdominal e diarreia. A incubação da doença tem um período de cinco a seis dias depois da infeção, podendo ir até 10 dias.

A infeção pode ser contraída por via aérea (respiratória), através da inalação de gotículas de água ou por aspiração de água contaminada. Apesar de grave, a infeção tem tratamento efetivo.

Em novembro de 2014, o concelho de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, foi afetado por um surto de 'legionella', que causou 12 mortes e infetou 375 pessoas com a bactéria.

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