Saúde

É "um tormento" governar nas atuais circunstâncias

"Se dou dinheiro a este ou suplemento àquele grupo, imediatamente me caem em cima a dizer 'eu também quero'", afirmou o secretário de Estado da Saúde.

O secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, disse que é "um tormento" governar nas atuais circunstâncias, em que os vários profissionais da área têm apresentado reivindicações e protestos.

"Estamos a viver um fenómeno que tem aspetos muito positivos. Os portugueses perceberam, ao contrário do que lhes tinha sido vendido antes, que afinal o país podia crescer repondo vencimentos", afirmou Manuel Delgado. "Esta expetativa criou uma perversão de que tudo se pode conquistar rapidamente (...). Ficou a ideia errada de que não só podíamos avançar na reposição de rendimentos, mas que essa reposição era infinita", afirmou Manuel Delgado à agência Lusa esta quarta-feira, à margem de uma conferência em Lisboa.

No Serviço Nacional de Saúde, lembrou o governante, são 130 mil profissionais "com carreira e remunerações muito diferentes e cada uma com os seus interesses próprios".

"É um mosaico tão complexo, por forma a conseguirmos ter propostas que sejam razoáveis para esse grupo profissional mas que não contaminem a relação que temos com outros grupos profissionais. Se dou dinheiro a este ou suplemento àquele grupo, imediatamente me caem em cima a dizer 'eu também quero'", declarou Manuel Delgado.

O secretário de Estado lembra que o Governo "não tem condições para responder a todas as reivindicações" que os profissionais apresentam, decorrendo daí a "dificuldade em chegar a acordos".

"Este é o drama. Por isso é que dizia que é um tormento governar nestas circunstâncias", afirmou Manuel Delgado à Lusa, depois de ter deixado a mesma ideia na conferência organizada esta quarta-feira pela associação da indústria farmacêutica.

OE2018 vai dar mais dinheiro para a Saúde

O Governo tem estado sobretudo em negociações com sindicatos médicos e de enfermeiros e o secretário de Estado frisa que este tipo de negociações tem "consequência financeira, representa encargos".

Na conferência sobre medicamentos oncológicos, Manuel Delgado recordou que "os recursos na saúde são insuficientes para responder a todas as solicitações, de doentes e profissionais", atendendo a que "nem sempre são coincidentes, nem no tempo nem no modo".

Quanto à perspetiva de o Orçamento de Estado para 2018 na Saúde, Manuel Delgado lembrou que a área tem visto a despesa crescer e que o orçamento do próximo ano deverá ser superior, embora não se possa esperar um "crescimento espetacular".

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