Os impostos podem tornar os portugueses mais saudáveis?

Estudo da Comissão Europeia recorda que a população doente e dependente vai crescer muito nas próximas décadas. Documento fala em impostos sobre o tabaco, álcool ou refrigerantes.

Um relatório da Comissão Europeia sobre cuidados de saúde e sustentabilidade das contas públicas diz que Portugal pode considerar um aumento dos impostos sobre o consumo de álcool, tabaco e bebidas açucaradas para ajudar a travar o quase inevitável crescimento, previsto para as próximas décadas, do número de portugueses com problemas de saúde.

O jornalista Nuno Guedes resume os prncipais dados do estudo da Comissão Europeia

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Numa altura em que se fala num eventual aumento do imposto sobre produtos como o açúcar, nomeadamente refrigerantes, no novo Orçamento do Estado, estas são algumas das várias medidas referidas como importantes para travar os efeitos do envelhecimento da população nas contas do Estado.

Nas próximas décadas Portugal vai ser um dos países europeus com maior crescimento no número de pessoas dependentes.

1,1 milhões de portugueses dependentes

O relatório consultado pela TSF foi feito pela Direção-Geral para os Assuntos Económicos e Financeiros e pelo grupo que estuda o envelhecimento da população europeia.

As conclusões revelam que nas próximas décadas a população dependente, com fortes limitações no dia-a-dia por problemas de saúde, vai crescer quase 60% em Portugal.

Serão 1,1 milhões de pessoas em 2040 quando hoje se ficam pelas 900 mil. Em 2060, 13,4% dos portugueses estarão dependentes de outros, a quarta taxa mais elevada da União Europeia.

Devido ao envelhecimento, Portugal vai ser, aliás, um dos países onde as despesas do Estado com saúde mais vão crescer até 2060: +2,5 pontos percentuais do PIB contra apenas +0,9 na média europeia.

É neste contexto que o relatório sublinha os desafios que Portugal tem pela frente, apesar das reformas que já fez, "com sucesso", nos últimos anos.

Entre estes desafios está, por exemplo, alargar os cuidados primários com mais horários de atendimento nos centros de saúde diminuindo o recurso aos hospitais que também devem melhorar a qualidade e resposta dos seus serviços.

Além das medidas nos cuidados de saúde, o relatório da Comissão Europeia prevê ações que previnam doenças como mais rastreios ou a promoção de estilos de vida saudáveis, sendo neste capítulo que o documento diz que as autoridades portuguesas "podem também considerar se medidas complementares como o aumento dos impostos especiais de consumo sobre o tabaco, álcool, bebidas açucaradas ou 'apertar' as medidas de segurança na estrada" deverão complementar mudanças recentes como a proibição de fumar em todos os espaços públicos fechados.

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