pediatria em risco

Ordem dos Médicos exige ver escala médica do Garcia de Orta

O Presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos admite à TSF que o serviço de urgência de pediatria de Garcia de Orta possa ter mesmo de encerrar.

O Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos quer que a Administração do Hospital Garcia de Orta envie com urgência, até ao final desta terça-feira, a escala das equipas para o serviço de Urgência Pediátrica deste mês de abril.

A carta enviada este sábado ao presidente do maior hospital da Margem Sul da Grande Lisboa garante que de acordo com as informações de que a Ordem dispõe "sabemos que a escala de especialistas para a urgência não está assegurada de acordo com os números mínimos, não correspondendo ao que o Conselho de Administração do Hospital Garcia de Orta tem referido em comunicados e declarações à comunicação social".

O Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos volta a dizer que está preocupado, havendo "dados que suscitam dúvidas e que se prestam a confusões desaconselháveis quando se trata da segurança dos doentes e da qualidade dos cuidados", razões para pedir a escala das equipas.

Depois dos alertas da Ordem, da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e da Comissão de Utentes da Saúde do Conselho do Seixal, a administração do Hospital Garcia de Orta, em Almada, garantiu na semana passada que estava a tomar medidas para combater a falta de médicos na urgência pediátrica, dizendo que o serviço tem mantido a "qualidade", mesmo funcionando a mínimos, com três especialistas.

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Entrevistado pela TSF, o Presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, explica que há poucos especialistas de pediatria a fazer escala de urgência.

"Aquilo deveria ter três especialistas a funcionar e a informação que nós temos é que, normalmente, tem um especialista mais dois internos e, muitas vezes, a substituição é um médico de medicina geral e familiar e não propriamente um especialista de pediatria que não é sequer do hospital, ou seja, não conhece as rotinas, não conhece os protocolos, não conhece o sítio onde estão as coisas e vai fazer o seu melhor, certamente, mas não está integrado numa equipa. A criança será atendida, mas seria muito melhor atendida e em muito melhores condições se o serviço estivesse a trabalhar dentro da normalidade."

Alexandre Valentim Lourenço teme que a segurança dos doentes esteja em causa devido à falta de especialistas.

"Os médicos especialistas do Garcia da Orta já fazem, pelo menos, 48 horas de urgência. Fazem sete a oito bancos por mês para poderem tapar as escalas, quando deviam fazer 12 horas por semana e, por isso, esta situação tem-se arrastado de uma forma que não é para nós aceitável. Há aqui uma clara incompetência em gerir recursos humanos. Numa altura em que a pediatria falha em todo o lado, os outros serviços têm conseguido geri-los de uma forma mais adequada do que esta que tem preocupado os utentes, os sindicatos, a Ordem dos Médicos e os próprios enfermeiros."

O Presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos admite que o serviço de urgência de pediatria de Garcia de Orta possa ter mesmo de encerrar.

"Eu creio certamente que se não houver profissionais ela terá de fechar, ou terá de fechar parcialmente durante a noite ou alguns dias durante a semana. Aí, a situação dos outros hospitais - que já não é fácil - será certamente agravada. Nós não podemos escolher as horas ou os dias da semana em que uma criança pode adoecer nos concelhos de Almada, ou do Seixal, ou de Sesimbra."

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