medicina

Pressões e excesso de doentes nas urgências deixam médicos esgotados

Há um excesso de doentes não urgentes a entupir os principais serviços de urgência do país. A pressão a mais pode estar a levar ao aumento de casos de burnout nos médicos.

Alguns dos motivos que levam o Núcleo de Urgência da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna a reunir em Coimbra, no Centro de Eventos Bissaya Barreto, no III Congresso Nacional de Urgência, para debater a organização da urgência em Portugal, mas também para proporcionar formação, através de cursos, aos médicos que trabalham todos os dias em urgências.

No acesso à urgência, Portugal continua a ser um país desigual. É urgente combater esta desigualdade e os médicos têm um papel a desempenhar e uma palavra a dizer. "Há realidades completamente diferentes na periferia dos grandes meios urbanos ou os meios rurais do interior, onde falta diferenciação técnica, falta de exames complementares e falta de especialidades. Há um país desigual entre o interior e o litoral, afirma João Porto que é o presidente do Congresso Nacional de Urgência, que vai juntar em Coimbra médicos e investigadores de todo o país.

Além da organização do sistema de urgência, o encontro nacional foca-se também na formação dos médicos, tendo nos dois dias que antecedem os plenários sete cursos práticos que os médicos irão realizar, havendo uma avaliação no final.

"As urgências funcionam muitas vezes mal, e não é nossa competência estar a mexer na estrutura das urgências porque é uma competência do SNS - Serviço Nacional de Saúde, uma competência política, mas temos de preparar os médicos o melhor possível para estarem melhor preparados dentro da urgência", afirma.

Conhecimento que não chegaria com a mesma qualidade através de uma palestra teórica. O que já não é apenas teoria, e está provado cientificamente, é que o burnout (um dos temas que será abordado no Congresso) afeta os médicos. Falta agora perceber, garante João Porto, o que contribui a urgência enquanto local de trabalho para este esgotamento físico e psicológico.

Uma pressão agravada pelo número excessivo de utentes que chegam às urgências. "Temos a pressão das administrações, a pressão de quem está à nossa frente e que querem resolver o seu problema rapidamente, associado ao elevadíssimo número que chegam à urgência, e ao tempo que temos para ver o doente, dez ou quinze minutos, para lhe resolver a situação".

É por isso preciso encontrar soluções: quer para este desgaste dos médicos que trabalham nas urgências, quer para diminuir o número de utentes que recorrem a este serviço não sendo casos urgentes. E aqui, afirma João Porto, é uma questão cultural. "Sete em cada dez portugueses vai à urgência uma vez por ano. Enquanto for assim vai ser muito difícil".

A organização do serviço de urgência está em debate em Coimbra, mas também a atualização técnica e científica dos médicos.

O Congresso Nacional de Urgência começa esta quinta-feira com cursos de formação para médicos, em sete especialidades diferentes. Todos eles estão esgotados. O programa pode ser consultado AQUI.

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