Relação entre diabetes e doença de Parkinson? Investigadores portugueses explicam

A doença de Parkinson tem origem desconhecida e ainda não há cura, mas um grupo de investigadores portugueses está a dar cartas num possível tratamento. A investigação é uma esperança para os doentes e baseia-se na relação da diabetes com a doença de Parkinson.

A relação entre a diabetes e a doença de Parkinson foi comprovada cientificamente há cerca de 60 anos, mas no ano passado a ciência deu um passo de gigante: um estudo científico revelou que os doentes que desenvolvem diabetes tipo 2 entre os 25 e os 45 anos têm mais 400% de hipótese de sofrer de doença de Parkinson.

Por cá, uma equipa de investigadores portugueses descobriu recentemente que um derivado do açúcar acumulado no sangue devido à diabetes (glucose) pode modificar proteínas, provocar a morte de neurónios e falta de dopamina, o que leva aos sintomas da doença de Parkinson. Um desses investigadores foi Hugo Vicente Miranda, do Centro de Investigação de Doenças Crónicas da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.

Ouvido pela TSF, o investigador explica que, depois dessa descoberta, o grupo de peritos quis testar se os medicamentos usados no tratamento da diabetes preveniam a modificação de proteína, e os resultados foram surpreendentes: "Felizmente ficámos muito satisfeitos por obter uma resposta positiva por parte de alguns destes fármacos. Efetivamente, alguns conseguiram diminuir estas modificações patológicas, as células não ficaram em condições de tanta toxicidade e por isso apresentaram-se muito promissores".

A partir daí, os investigadores portugueses foram perceber o efeito do derivado do açúcar acumulado no sangue em ratos de laboratório e voltaram a ter boas notícias. "Também estamos bastante entusiasmados porque constatámos que estes derivados da glucose parecem provocar alterações nos ratinhos que são típicos da doença de Parkinson, como a neurodegeneração, consequências motoras, etc.", esclarece Hugo Vicente Miranda.

O próximo passo é testar a eficácia dos medicamentos para a diabetes nos ratos e perceber se podem, ou não, ser usados no tratamento da doença de Parkinson. Na prática, a estratégia em termos de investigação é tentar encontrar pistas dos mecanismos que estão a funcionar mal e a causar um mau envelhecimento do cérebro, e que pode estar na origem da doença de Parkinson.

Além de Hugo Vicente Miranda, a equipa conta com vários investigadores, como Tiago Outeiro, do Departamento de Neurodegeneração Experimental do Centro Médico da Universidade de Göttingen (Alemanha), e Luísa Lopes, do Instituto de Medicina Molecular. O estudo que está em desenvolvimento foi recentemente financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

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