SNS vai ter mais psicólogos

O ministro da Saúde anunciou a contratação de 31 psicólogos para o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Outros 55 podem ser contratados até ao final do ano.

"Até ao final do corrente mês serão contratados mais 31 psicólogos para as ARS (administrações regionais de saúde) do Norte e Centro", disse o ministro da Saúde.

Adalberto Campos Fernandes acrescentou: "Adicionalmente continuamos a trabalhar com o Ministério das Finanças para poder viabilizar ainda durante o ano de 2017 a contratação adicional de 55 novos psicólogos para reforçar a oferta ao nível dos cuidados de saúde primários".

O ministro falava numa conferência promovida pela comissão parlamentar de saúde e pela Ordem dos Psicólogos, dedicada à depressão, tema do Dia Mundial da Saúde que se assinala na sexta-feira, e no âmbito da qual a ordem profissional apresentou a sua proposta para um Plano Nacional de Prevenção da Depressão.

"São pequenos passos num quadro de dificuldades orçamentais que vamos tendo, mas representam um sinal", disse o ministro.

Segundo o bastonário da Ordem dos Psicólogos, Francisco Miranda Rodrigues, faltam ao SNS cerca de 500 psicólogos para dar resposta e encaminhamento aos casos que chegam aos serviços, que nem sempre precisam de ser medicados ou internados.

"Se temos hoje uma situação em que recorremos em primeira linha aos psicofármacos como resposta às queixas dos utentes que se apresentam com sinais de um quadro depressivo e não temos forma de fazer uma avaliação que permita um diagnóstico precoce e uma correta avaliação e encaminhamento para o tipo de apoio que aquele utente realmente precisa, logo aqui nós estamos a começar muito mal", disse o bastonário.

Francisco Miranda Rodrigues referiu o "peso excessivo" que o consumo de medicamentos para tratar a depressão representa nos custos do SNS, e a causar "uma dependência sem resolução das questões de base que levam à depressão".

A existência de psicólogos "numa primeira linha" de atendimento aos pacientes permitiria, em muitos casos, segundo o bastonário, orientar os doentes para situações de autoajuda, que não precisa de medicação e que pode ser "resolvida de uma forma muito rápida, com uma pequena intervenção".

O plano pretende que o atendimento e tratamento destes casos obedeçam a uma intervenção faseada, em que só em último caso se faz a referenciação dos doentes para os serviços de saúde mental nos hospitais.

Em traços genéricos, a Ordem dos Psicólogos pretende que o plano nacional represente "uma estratégia e um conjunto de ações planeadas e calendarizadas" sobre o que fazer, quando fazer e com que recursos, "com objetivos que vão desde o aumento da literacia em saúde dos portugueses até às situações que têm que ver com a intervenção nos momentos certos, e com a intervenção certa".

Durante a sua intervenção na sessão de abertura da conferência, o ministro da Saúde referiu-se à depressão como "a mais subtil e injusta das epidemias silenciosas", e afirmou que "se tivesse um poder mágico" para uma medida de combate à depressão seria "trabalhar muito nas políticas de felicidade".

Adalberto Campos Fernandes atribuiu ao desemprego, às dificuldades em assegurar uma educação aos filhos e outros fatores sociais e económicos decorrentes da conjuntura de crise a responsabilidade por muitos casos de depressão, dizendo ser necessário criar "condições de contexto para que as pessoas possam ver afastadas essas limitações".

José Matos Rosa, deputado do PSD, que preside à comissão parlamentar de saúde, referiu a depressão como "uma condição do nosso tempo" para a qual têm que ser encontradas "respostas políticas", lembrando que Portugal é dos países onde os pacientes mais tempo demoram a procurar ajuda médica.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas sofrem de depressão em todo o mundo, e que leva ao suicídio de cerca de 800 mil pessoas todos os anos.

Em Portugal a depressão é a terceira causa mais comum para recorrer a uma consulta ao nível dos cuidados de saúde primários.

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