Mais de 100 médicos já apresentaram demissão. Sindicato deixa alerta ao Governo

Registaram-se mais duas demissões no Hospital de São João, no Porto. SIM diz que é resultado da degradação das condições. FNAM fala numa "luta de poder". Todos apontam responsabilidades ao Ministério da Saúde.

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) contabiliza já mais de uma centena de demissões de médicos em cargos de chefia nos hospitais públicos.

O último caso foi público esta segunda-feira, com a demissão de dois diretores do Centro Hospitalar do Porto, que, alegadamente, terão saído devido à falta de condições de trabalho, mas tanto o hospital como os médicos demissionários recusam-se a comentar as demissões.

Em declarações à TSF, Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do SIM, aponta a "permanente degradação" do Serviço Nacional de Saúde (SNS) como a motivação para as recentes demissões. "Já são mais de 100 os responsáveis que são nomeados politicamente e que" se demitem, constata o sindicalista.

Roque da Cunha alerta ainda que há mais demissões de médicos e responsáveis de serviços à vista, caso não haja uma resposta do Ministério da Saúde. "Temos informações de que no país todo exigem muitos mais médicos e responsáveis que estão a aguardar mais uns dias por soluções", caso contrário demitem-se, avisa.

O líder do SIM desafia, por isso, o Ministério da Saúde a negociar com os médicos. "Fale com os sindicatos, para tentarmos encontrar soluções que permitam não só que os médicos não saiam do Serviço Nacional de Saúde, mas também que seja atrativo trabalhar no Serviço Nacional de Saúde", apela.

Ouvido pela TSF, também Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, reconhece que a acumulação de demissões de médicos em cargos de chefia é um sinal de frustração devido à falta de investimento.

"É uma situação preocupante e que não é, de todo, saudável", afirma Alexandre Lourenço. "É o reflexo desta frustração que existe ao nível das condições de trabalho".

"Lutas de poder"

Já João Proença, líder da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), desvaloriza estas demissões, entendendo que o que está em causa é uma luta de poder.

"São lutas de poder político, têm pouco a ver com a substância da qualidade médica. Quando fizemos a greves dos médicos contra a política de saúde, a grande maioria destes diretores de serviço nem sequer aderiu, porque são nomeados pelo próprio pode político. É o diretor clínico que nomeia os diretores de serviço", afirma o dirigente sindical, em declarações à TSF.

Para o líder da FNAM, para resolver o problema das constantes demissões, basta fazer regressar a eleição dos diretores de serviço com base do mérito, em vez de manter as nomeações políticas.

"Tem de haver uma reforma hospitalar em que haja uma participação democrática, que volte a haver eleições para a demissão médica (...), em que as pessoas mais qualificadas por mérito ocupem os lugares de diretores de serviço, e não por nomeação política", defendeu João Proença.

*com Paula Dias e Sara de Melo Rocha

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