"Carne processada" classificada de cancerígena

A Organização Mundial de Saúde divulgou, esta segunda-feira, um estudo no qual classifica como "alimento cancerígeno", para os seres humanos, a carne vermelha processada (como o bacon, salsichas ou presunto) e como "provavelmente cancerígena" a carne vermelha.

O relatório foi elaborado por um grupo de trabalho composto por 22 especialistas de 10 países que considerou que existem "provas suficientes", do ponto de vista científico, de que a ingestão de carne processada está ligada ao cancro colo-rectal.

Os especialistas classificaram ainda o consumo de carne vermelha como "provavelmente" cancerígeno para os seres humanos, com base em "provas limitadas" de que a ingestão deste tipo de alimento pode estar associada ao cancro colo-rectal, mas também ao cancro do pâncreas e ao cancro da próstata.

Em comunicado, o chefe do Programa de Monografias da Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (IARC, sigla em inglês), Kurt Straif, diz que "para um indivíduo, o risco de desenvolver cancro colo-rectal por consumir carne processada é pequeno, mas o risco aumenta à medida que aumenta a quantidade de carne consumida".

Contactado pela TSF, Nuno Miranda, diretor do Programa para a Ãrea do Cancro da Direção Geral de Saúde, explica que as conclusões deste relatório não são novas. O documento agora divulgado altera apenas a classificação destes produtos e alerta, mais uma vez, para os riscos de um consumo excessivo.

Nuno Miranda explica a alteração da classificação da OMS para a "carne vermelha" e "carne processada".

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Nuno Miranda diz ainda que em Portugal existem estudos que indicam precisamente que o consumo de carne processada aumenta o ruisco de cancro, neste caso, de estômago.

O especialista fala do caso português.

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Também a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, em declarações à TSF, congratula-se com a decisão da OMS . Alexandra Bento diz que há muito que se sabia dos riscos do consumo excessivo de carne vermelha e de carne vermelha processada e, por isso, esta re-classificação faz todo o sentido embora deva ser encarada com alguma prudência porque o que se pretende não é a exclusão do consumo destes alimentos, mas o seu consumo equilibrado.

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas saúda a decisão da OMS, mas recomenda alguma prudência.

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Bastonária Nutricionistas saúda recomendação da OMS

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O termo "carne vermelha" está associado a "todos os tipos de carne muscular de mamíferos, como carne de vaca, vitela, porco, carneiro, cavalo ou cabra". Por sua vez, a carne processada está relacionada com produtos "que foram transformados através de um processo de salga, fumeiro, fermentação ou outros processos para melhorar o sabor ou conservação", tais como salsichas, presunto, carne enlatada, bacon e preparados ou molhos à base de carne.

O grupo de trabalho teve em consideração mais de 800 estudos que investigaram a associação de mais de uma dúzia de tipos de cancro com o consumo de carne vermelha e de carne processada em vários países e populações com diferentes dietas.

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