Quando um copo de aguardente convence mais do que a vacina

Em Messines de Baixo, no concelho de Silves, a Unidade Móvel de Saúde anda há dois dias a sensibilizar a população para os cuidados a ter com a gripe. Há quem ache que um copo de aguardente é melhor do que ir ao médico.

O Enfermeiro Luís Santos senta à sua volta as pessoas que foram até ao café situado à beira da estrada em Messines de Baixo. Deslocaram-se ali para o ouvir falar sobre os cuidados a ter com a gripe. São quase todas pessoas idosas. "Só trouxe este xaile?" pergunta a uma idosa.

O enfermeiro da Unidade Móvel do Centro de Saúde de Silves preocupa-se. Explica que, nesta época de inverno, de muito frio, é importante vir bem agasalhada e vestida com várias camadas de roupa.

Luís Santos tirou dois dias para andar por algumas zonas do concelho a falar sobre a gripe, como a evitar ou como proceder em caso de apanhar o vírus. A começar pela forma como se propaga a doença. "Se eu estiver constipado ou com algum vírus, posso estar a enviar gotículas", explica.

O enfermeiro tenta receber interação por parte da sua plateia, perguntando-lhes quais os sintomas da gripe. "Arrepios de frio", diz uma senhora. "Dores de cabeça", atira outra.

Entre as pessoas que foram ouvir a palestra, percebe que há muitas que não se vacinam - e até mostram alguns receios. "Já há dois anos que não sou vacinada e, quando era, estava 15 dias com a gripe", conta uma senhora. O enfermeiro adverte para os perigos que a não-vacinação pode trazer para alguns setores mais sensíveis da população, como os idosos e os doentes crónicos.

Ainda assim, alguns não se deixam convencer. Melhor do que a vacinação para gripe, explicam os idosos de Messines de Baixo, são as mezinhas que foram passando de geração em geração: "batatas às rodelas, para passar a dor de cabeça; gordura da galinha ou vinho quente com açúcar, para a dor de garganta."

Já o senhor Leocádio prefere jogar pelo seguro: "Já há dez ou 12 anos anos que me vacino e faz-me bem. Passo o inverno sem me constipar", garante.

Esta ação de sensibilização enquadra-se na intervenção feita habitualmente pela Unidade de Saúde Móvel. "A proximidade à população é muito importante, passamos a mensagem e tiramos a dúvidas", sublinha o enfermeiro.

Luís Santos conhece aquela população melhor do que ninguém e sabe como muitos vivem isolados. Por isso, antes de partir, deixa o conselho: "Quem vive sozinho é importante dizer ao vizinho que está doente". Porque uma rede social é sempre importante - em caso de gripe ou apenas em caso de solidão.

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