Seca pode obrigar proprietários a nova limpeza de terrenos

O prazo para limpar o mato e podar árvores junto a casas isoladas terminou a 15 de março. O investigador Xavier Viegas considera que deveria ser mais flexível.

O Governo exigiu que os proprietários limpassem os terrenos até 15 de março, mas, até agora, choveu pouco e, por isso, o mato não teve oportunidade de crescer. Xavier Viegas, responsável pelo Centro de Estudos de Fogos Florestais da Universidade de Coimbra, acredita que pode ser necessária uma nova limpeza ainda antes do verão.

O investigador defende que este prazo deve ser mais adequado à realidade de cada ano, "assim como se tem tentado flexibilizar a duração das épocas de incêndios, outras medidas que têm a ver com processos da Natureza também o deveriam ser. Não faz sentido fixar a data 15 de março ou 15 de maio. A Natureza não conhece essas datas. Temos de estar atentos e disponíveis para a possibilidade de haver fenómenos naturais, climáticos que levem a atrasar ou adiantar esses trabalhos."

Apesar de apontar algumas falhas à campanha do Governo, que "nem sempre foi muito clara", Xavier Viegas defende que a limpeza de terrenos é uma medida importante, que tem tido resultados significativos nos últimos dois anos. Ainda assim, o investigador, responsável pelo relatório do incêndio que atingiu Pedrógão Grande, considera que é preciso fazer mais.

"É preciso trabalhar mais com as pessoas e com as comunidades, levar a que tenham uma maior sensibilidade e evitem fazer uso do fogo em dias de risco elevado. Essa é a maior praga que o nosso país tem, é o grande número de ocorrências em dias em que não devia haver fogos."

Xavier Viegas lembra que a época de maior risco está a chegar e antecipa um ano difícil relativamente aos incêndios. "Na situação de seca em que estamos, na sequência de alguns anos que foram maus, neste momento a situação é preocupante."

"Em alguns aspetos estou apreensivo. Vejo muita coisa que sabemos que precisa de ser feita, nomeadamente a nível da prevenção estrutural, da sensibilização das pessoas e que está por fazer", afirma, "também na própria organização das entidades, gostaria de estar um pouco mais descansado a respeito desse trabalho conjunto."

Tecnologia ao serviço do combate aos incêndios

Xavier Viegas é também o coordenador do projeto "Fire Protect", da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, que desenvolveu três soluções tecnológicas para proteger pessoas e estruturas nos incêndios.

O grupo de 25 cientistas que faz parte deste projeto criou coberturas para carros de bombeiros e cercas de proteção para casas e estruturas. Soluções que já foram testadas em laboratório e também em ensaios de campo, que o investigador garante que são eficazes.

A tecnologia não resolve todos os problemas, mas pode ser uma grande ajuda no combate aos incêndios, defende Xavier Viegas. Estas soluções têm como principal objetivo aumentar a segurança das populações e evitar tragédias como as que aconteceram em 2017. Neste momento, uma empresa de telecomunicações está já a trabalhar com este grupo de investigadores para começar a aplicar estes sistemas.

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