coletes amarelos

"Os polícias vão sofrer bastante" se acontecer em Portugal o mesmo que em França

Presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia alerta para a falta de meios, condições e equipamentos dos portugueses em relação aos franceses.

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) está preocupada com a falta de meios com que os agentes se vão deparar esta sexta-feira, durante o protesto dos coletes amarelos em Portugal.

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Em declarações à TSF, o presidente da ASPP, Paulo Rodrigues, revela que caso se verifiquem cenas de violência como as que aconteceram em França, os polícias portugueses vão sofrer bastante.

"Como presidente do sindicato, e como polícia, é evidente que estou preocupado. Por um lado, porque sei que os profissionais da polícia vão estar todos ao serviço e, provavelmente, não vão ter todas as condições nem todos os meios que era importante terem. Isso deixa-me muito preocupado porque, se as coisas correrem de forma muito próxima ao que aconteceu em França, os polícias vão sofrer bastante porque não tem os meios, nem as condições, nem os equipamentos que os franceses tinham. Isso sim, preocupa-me bastante. Claro que, como profissional de polícia e como cidadão português, também me preocupa porque, se as pessoas se querem manifestar, era importante que o fizessem sem violência", referiu Paulo Rodrigues, expressando a esperança de que não se repita o cenário vivido em França.

Para garantir o cenário de segurança, foram chamados 20 mil agentes da PSP - incluindo os que estavam de folga - numa mobilização que Paulo Rodrigues classifica de "inédita".

"Não me recordo de nenhuma situação que, de alguma forma, levasse a própria polícia a determinar que todos os polícias teriam de estar ao serviço. Não tenho conhecimento nem, desde que sou polícia, me lembro de nenhuma situação em que fosse pedido a todos os polícias de folga que estivessem ao serviço. É uma questão excecional e não tem comparação com qualquer outra", notou o presidente da ASPP.

Na semana passada, a ASPP exigiu que fosse atribuído aos polícias de serviço o suplemento de piquete, retribuição que dizem ser obrigatória por lei. Os polícias fizeram chegar este pedido à direção nacional da PSP que, revela Paulo Rodrigues, nem sequer respondeu.

"Até ao momento não temos qualquer resposta. Entristece-nos que, por um lado, a direção nacional da polícia queira que os elemento estejam ao mais alto nível mas, por outro, não lhes dá nada em compensação. Nem uma resposta. Já começa a ser comum os polícias serem chamados a fazer mais e melhor, por vezes sem condições e sem meios, e depois aquilo que devia ser reconhecido e compensado nunca o é", lamentou.

Apesar desta situação, Paulo Rodrigues garante que os agentes que tiverem perdido a folga desta sexta-feira serão recompensados mais tarde. As concentrações dos protestantes estão marcadas, a nível nacional, para as 7h da manhã desta sexta-feira.

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