"Perigoso": só valores acima de 150 mil euros obrigam a segurança no transporte

Lei sobre atividade de segurança privada sugere que exista recurso às forças de segurança para transporte de valores nos casos em que o valor é superior a 150 mil euros. Partidos e polícias contestam.

É uma alteração que espanta e merece o desacordo à esquerda e à direita no Parlamento: o Governo sobe o atual valor de 15 mil euros para que o transporte de valores seja feito com recurso a segurança, para 150 mil euros.

"As empresas ou entidades industriais, comerciais ou de serviços que necessitem de efetuar o transporte de moeda, notas, fundos, títulos ou metais preciosos de valor superior a 150.000 euros são obrigadas a recorrer à autoridade pública ou a entidades autorizadas a prestar os serviços de segurança privada (...)" lê-se na proposta sobre segurança privada, hoje debatida, no Parlamento.

Durante o debate, o ministro da Administração Interna foi confrontado com a crítica à proposta tanto entre os partidos à esquerda como à direita.

"Nenhuma entidade que esteve envolvida neste trabalho de mais de dois anos propôs este valor, Aliás algumas entidades consideraram que pode aumentar a perigosidade, a Polícia Judiciária e a própria PSP disseram que seria perigoso colocar este valor agora na lei", lembrou a deputada do Bloco de Esquerda Isabel Pires, sublinhando ainda que "estão em risco milhares de postos de trabalho neste setor".

Jorge Machado do PCP alertou para o facto de um cenário em que "pode circular um montante levado de dinheiro sem segurança o que potencialmente pode aumentar a criminalidade".

Na mesma linha, pelo CDS, Telmo Correia criticou o facto de a proposta permitir a circulação de "valor em numerário muito relevantes sem requisito de empresas certificadas"

"Temos vários problemas: há mais dinheiro a circular sem proteção, põe em causa o investimento das empresas, com milhares de postos de trabalho especializados e vai ao arrepio de normas internacionais onde se exige o controlo mais apertado da utilização e circulação de numerário", considerou o deputado centrista.

Continuar a ler

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de