Segurança

Tancos: PSD pondera chamar António Costa ao Parlamento

O PSD quer saber se o PM "mentiu ou mentiram-lhe" sobre as armas de Tancos. O ministro diz que não sabe se as armas encontradas na Chamusca correspondem ao material roubado em Tancos.

Bruno Vitorino, do PSD, questionou diretamente o ministro da Defesa: "O Sr. ministro mentiu aos portugueses ou mentiram-lhe a si?".

Numa referência à conferência de imprensa em que o Governo saudou a "recuperação" das armas roubadas em Tancos, o deputado do PSD questionou ainda: "O Sr. primeiro-ministro disse que descansou os parceiros da União Europeia porque tudo foi recuperado, à exceção de uma caixa de munições de 9 milímetros."

"O Sr. primeiro-ministro mentiu aos portugueses ou mentiram-lhe?" perguntou Bruno Vitorino, afirmando que "dependendo das respostas dadas" pelo ministro, o PSD "reserva-se o direito de requerer a audição do primeiro-ministro nesta comissão (de Defesa)".

"Não digo que sim, nem que não"

Na audição parlamentar na Comissão de Defesa, o ministro Azeredo Lopes disse que não sabe se as armas encontradas na Chamusca correspondem ao material roubado em Tancos.

"Continuo sem ter a certeza sobre se falta material ou se é uma falha uma falha de inventário. Não digo nem que não, porque não tenho elementos para validar qualquer das teses. E aguardo tranquilamente que o Ministério Público diga de sua justiça."

O ministro da Defesa quis, no entanto, manifestar a convicção de que não existe risco acrescido para a segurança nacional.

"Depois de ouvir, nesta comissão, as Sras. Secretárias-Gerais do Sistema de Segurança Interna e do Serviço de Informações da República, não tenho dúvidas em dizer que, nem que se verifique essa falta, não está em causa a segurança nacional".

O Governo insiste que foram "tomadas todas as medidas" para proteger o material militar.

Antes, o CDS criticou as "contradições" entre as palavras do Governo e do general Rovisco Duarte que, em julho, no Parlamento, disse que nunca tinha confirmado que as armas encontradas correspondiam totalmente aquelas roubadas no paiol de Tancos.

"Quinze meses depois, o Sr. ministro da Defesa continua sem saber o que lá havia, sem saber o que lá aconteceu e sem saber o que de lá desapareceu", acusou o deputado centrista João Rebelo.

Adiante, outro deputado do CDS, António Carlos Monteiro, considerou que Azeredo Lopes "não tem condições para se manter no cargo".

"A sua permanência no cargo põe em causa a credibilidade das instituições e, desde logo, a confiança que os portugueses podem ter na informação dada pelo Governo", disse o parlamentar centrista.

Na resposta, o ministro da Defesa disse que não existem contradição entre o Governo e o Exército.

O ministro sublinha que quem conduziu a investigação às armas desaparecidas ​​​​​​​foi a Polícia Judiciária Militar, logo não cabia ao Chefe de Estado Maior do Exército saber se as armas encontradas correspondem aquelas antes furtadas nos paiol de Tancos.

Azeredo Lopes acusou ainda o líder do PSD, Rui Rio, de contribuir para o "descrédito" das instituições ao criticar o Governo e o Exército sobre a falta de respostas perante o caso de Tancos.

"As caixas de Pandora que se abrem põem em causa as instituições", acusou o ministro numa referência às críticas irónicas do presidente do PSD que afirmou que "em Portugal consegue-se roubar material militar da mesma forma que se consegue entrar num jardim para roubar umas galinhas".

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