Incêndios

Xavier Viegas diz que falhou "busca e salvamento" em Pedrogão Grande

Responsável do relatório sobre o incêndio concluiu que "a prestação de socorro médico falhou, porque faltou busca e salvamento" e defende que parte da estrutura de comando se dedique a essa tarefa.

Domingos Xavier Viegas, o responsável pelo relatório do incêndio que atingiu Pedrógão Grande, a 17 de junho do ano passado, defendeu, esta quarta-feira, no parlamento, que não houve nenhuma entidade responsável pelas operações de busca e salvamento das vítimas, sublinhando que, se isso tivesse acontecido, se poderiam ter evitado várias mortes.

"Faltou um trabalho de busca e salvamento. A prestação de socorro médico falhou, porque falhou a busca e salvamento. Não foi feito de forma coordenada", explicou o investigador, em declarações aos jornalistas, depois de ter sido ouvido pelos deputados numa audição parlamentar, a pedido do CDS, que decorreu à porta fechada.

"Aquilo que nós recomendamos no nosso relatório é que, numa situação destas em que haja múltiplas vítimas, uma parte do posto de comando esteja dedicada unicamente a esta tarefa", referiu, acrescentando que não foi o que aconteceu em Pedrógão "e daí que tenha havido muito sofrimento e, eventualmente, algumas mortes que se poderiam ter evitado".

O investigador do Centro de Estudos Florestais da Universidade de Coimbra, esta falha fez com que pudessem ter ocorrido algumas mortes, que de outra forma poderiam ter sido evitadas.

Também à saída da comissão parlamentar, o deputado do CDS Telmo Correia lamentou a "falha generalizada na busca e salvamento", salientando que durante o violento incêndio "ninguém tinha a responsabilidade de ir buscar pessoas que estavam caídas no terreno". Já Duarte Marques, do PSD, sublinhou que "o comando está concentrado no combate, faltando uma parte que vá buscar as pessoas". Para o deputado social-democrata, existe a necessidade de "criar uma especificidade no comando para que os bombeiros não se desviem do combate e os médicos não se desviem de tratar os doentes".

Já em relação ao grande incêndio de Outubro, Domingos Xavier Viegas admitiu aos jornalistas que ainda aguarda mandato do governo para realizar o relatório do incêndio, apesar de os técnicos "já estarem no terreno".

"O primeiro-ministro solicitou, desde cedo, um relatório formal e estamos em contacto com o gabinete do ministro da Administração Interna no sentido de ser formalizada essa adjudicação. São questões meramente burocráticas de autorização interna dentro da secretaria de Estado para que o processo possa avançar", esclareceu o professor universitário, adiantando que essa formalização vai permitir "falar com instituições e entidades".

Pela complexidade do que aconteceu a 15 de outubro, Xavier Viegas solicitou um prazo maior ao executivo para concluir investigações, que será de oito meses. No caso de Pedrógão Grande, os trabalhos da equipa liderada por Xavier Viegas ficaram concluídos em cerca de três meses.