Sopas do Alentejo

Uma das melhores sopas de tomate do Alentejo e uma casa que se mantém ao longo do anos. Um engenheiro informático que se transformou num duriense mais duriense que muitos que reclamam o atributo, e uma associação cultural que "esconde" uma cantina que surpreende qualquer viajante.

Há casas que se mantém inalteráveis e essa é uma das razões que levam as pessoas a regressar. Quase como se fossem uma reserva moral. O restaurante Chana do Bernardino encaixa nesse adjetivo tal como a Aldeia da Serra d'Ossa, a oito quilómetros do Redondo.

A casa é tradicional e a comida não traz surpresas. A especialidade é a Sopa de Tomate, feita com farinheira, linguiça, entrecosto, lombo, bacalhau e ovo escalfado. Outros pratos como o ensopado de borrego, sopa de cação, gaspacho, açorda ou migas e ainda entradas como pimentos e farinheira assados ou fígado e pezinhos de coentrada. Nas sobremesas, há, entre outras, sericaia com ameixa de Elvas, farófias e tarte de queijo.

Bernardino Martins Ferreira, com 66 anos, nasceu na aldeia, trabalhou no campo, foi empregado de café e ainda passou por um hotel em Évora. Já depois de ter casado com a filha de Domingos Grave, conhecido por Chana, viveu 12 anos em Mem Martins, mas o desaparecimento do sogro acabou por ditar o seu regresso à aldeia. Ao antigo Chana, chamou-lhe Chana do Bernardino e desde que abriu que não lhe falta clientela.

Linhas pouco tortas

Abílio Tavares da Silva é daqueles casos que ouvimos falar algumas vezes, mas raramente sabemos se deu certo. Neste caso, certo parece ser a palavra adequada. Trocou a vida citadina e apressada de Lisboa pela calma e bucolismo do Douro, comprou a Quinta de Foz Torto e mudou-se com a família para lá do Marão.

Nasceu há 58 anos em Sever de Vouga, passou pelas escolas de Águeda e Aveiro, fez o primeiro ano de engenharia no Porto e entrou na Academia Militar em 1979. Desistiu no último ano para se dedicar à engenharia informática. Da Sofinloc à Teleperformance, Abílio passou e fundou várias empresas, mas o curso de enologia na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, acabou por lhe dar o mote para uma vida diferente.

Em 2004 libertou-se completamente das empresas, procurou uma quinta no Douro e comprou a Quinta de Foz Torto onde fez o seu primeiro vinho em 2010, lançado em 2012, juntamente com a enóloga Sara Tavares da Silva - que apesar do nome, não é familiar. Restruturou 80% da propriedade e, além das uvas que vende para a Taylor's, Abílio faz o Foz Torto Colheita, Foz Torto Vinhas Velhas tinto e Foz Torto Vinhas Velhas branco.

Surpresa na beira da estrada

Associação Etnográfica do Montemuro em 1981, anos mais tarde em 1985 abriu um restaurante - Restaurante Típico do Mezio e hoje em dia, com o apoio a idosos, o nome passou a Associação Etnográfica e Social do Montemuro.

O presidente da Associação, António Magalhães, conta uma história de uma coletividade que passa pela vontade da professora Dolores de Jesus (entretanto falecida em 2008) que fez o levantamento das tradições, etnografia, costumes, artesanato e gastronomia da Serra de Montemuro.

O Mezio é a freguesia, a serra, a região que também manteve tradições gastronómicas como o prato ex-líbris do restaurante, arroz de feijão com salpicão, além de outros pratos como os torresmos à Montemuro, o nome que chamam aos rojões, cabrito assado ou a moira com entrecosto, batata cozida e hortaliça.

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