"Tu vai mas é para a tua terra, que aqui não há racismo nenhum"

Ricardo Araújo Pereira resumiu assim os argumentos dos dois "energúmenos" de extrema-direita que seguiram Mamadou Ba, de telemóvel em riste, pelas ruas de Lisboa.

A intervenção policial no "Bairro da Jamaica", no Seixal, levou Mamadou Ba, dirigente do SOS Racismo, a publicar um desabafo na rede social Facebook em que dizia: "Sobre a violência policial, que um gajo tenha de aguentar a bosta da bófia e da facho esfera é uma coisa é natural, agora levar com sermões idiotas de pseudo radicais iluminados é já um tanto cansativo". O post desencadeou uma onda de indignação nas redes sociais e acabou por lhe valer uma "espera" por dois membros do Partido Nacional Renovador (PNR).

Para João Miguel Tavares a expressão "bosta da bófia", usada pelo Assessor Parlamentar do Bloco de Esquerda, foi não só "deselegante", mas também "contraproducente" para o combate ao racismo, porque "acaba por extremar posições e estimular a resposta dos energúmenos". Uma dessas respostas foi uma "espera" que dois elementos do PNR fizeram a Mamadou Ba: os dois homens seguiram o dirigente do SOS Racismo pelas ruas de Lisboa enquanto registavam em vídeo uma série de acusações e argumentos que João Miguel Tavares classificou de "inadmissíveis".

Ricardo Araújo Pereira resumiu da seguinte forma a argumentação dos membros do PNR: "ó senegalês do caraças, tu vai mas é para a tua terra, que aqui não há racismo nenhum". João Miguel Tavares lembrou que Mamadou é português, e acrescenta que "quando as coisas chegam a este ponto, estou do lado de Mamadou Ba para o que der e vier, e se for preciso até vou fazer uma manifestação em favor dele, porque isto não é admissível!".

O caso foi tema de debate ao longo de grande parte do programa, que pode ver ou ouvir na íntegra em tsf.pt .

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