Zé das Letras: uma casa poveira para letrados em bem comer

A história da casa vai já nas 4 décadas; mas, ao longo dos anos, o restaurante que já foi mercearia continua a afirmar-se pelo ambiente castiço, cozinha regional e preços em conta. Razões que fazem do Zé das Letras um clássico da Póvoa de Varzim.

É verão e a Póvoa de Varzim, literalmente, Sai Prá Rua, aderindo ao bem recheado programa da iniciativa que por estes dias anima o espaço ao redor do forte de N. Sr.ª da Conceição, frente ao porto. Uma infraestrutura que, para ser construída, motivou o chamado Requerimento dos Poveiros ao rei D. Luís I, assinado por Oliveira Martins, que contou com o apoio do poeta, dramaturgo e romancista Gomes Amorim. Um poveiro que, aos 10 anos de idade, demandou o Brasil, regressou para viver em Lisboa - onde foi amigo muito próximo de Almeida Garrett - mas nunca esqueceu as raízes poveiras.

A cidade consagrou-o na toponímia, dando nome a um trecho da Nacional 13, que atravessa a urbe, e onde se destaca a Casa Zé das Letras.

O restaurante é vizinho da escola secundária de Rocha Peixoto - outro ilustre poveiro, arqueólogo e etnólogo, que também dá nome à biblioteca local - e já foi mercearia, na década de 70 do século passado, antes de ostentar o estatuto de casa de pasto.

Hoje, é um espaço único na Póvoa de Varzim. Rústico e popular, tem a cozinha regional no cartão de apresentação onde sobressai frase lapidar: «Se é letrado em bem comer, nesta casa tem de aparecer».

O convite rima com apetite e, sem demora, olhamos a ementa escarrapachada na parede exterior. Lá dentro, o espaço surpreende. Na primeira sala, com três portas que dão para a rua e um balcão, sobressai a foto enorme, a preto e branco, da praia. Uma memória poveira em destaque entre tampas de madeira de caixas de vinhos, que forram a parede do lado esquerdo.

Há outras fotos do passado citadino decorando o espaço interior, marcado, de resto, pela simplicidade.

O capítulo de petiscos tem fama: prato com presunto; moelas; bacalhau frito; febras; sandes de rojões ou de panado; bolinhos de bacalhau.

No lote dos pratos mais apreciados, destaca-se o bacalhau à Zé das Letras, mas o gadídeo também pode ser assado ou cozido. O polvo surge em duas opções - grelhado ou cozido - e a petinga frita com arroz de tomate pode surgir no menu diário.

Para grelhar, há, regra geral, dourada ou robalo e escolha pode ainda contemplar filetes de pescada e raia frita.

Nos pratos de carne, destaca-se a pá de cabrito assada no forno, entre opções mais banais: panados de vitela ou de porco, que podem ter arroz de tomate como acompanhamento; rojões com tripa; bifes e febras.

Na época, brilhamos os pratos de caça.

A tradição impera no capítulo doceiro: aletria, leite-creme e rabanadas de fabrico próprio, formam trio de qualidade.

Garrafeira suficiente.

Serviço simpático e despachado neste restaurante onde a sofisticação fica à porta. Ali, tudo é simples, da cozinha à ementa. Com preços módicos e doses bem servidas, a casa está, regra geral, sempre cheia. Restaurante Zé das Letras, na Póvoa de Varzim.

Onde fica:
Localização: R. Gomes de Amorim 126, 4490-641 Póvoa de Varzim
Telef.: 252 683 937

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