Laura Mendonça

Ajudante de lar: "Ganha-se muito pouco nas instituições"

Laura Mendonça, 48 anos, trabalha há 21 num lar de terceira idade no distrito de Viana do Castelo. Começou pela "paixão por ajudar as pessoas que precisam" e acabou por fazer da profissão de ajudante de lar a sua vida. Dentro e fora da instituição. É que, além do apelo de ajudar, também necessita de agregar outros rendimentos ao salário mínimo que aufere. "Fora do lar, presto assistência a muitas pessoas, para poder fazer face às minhas despesas. Ganha-se muito pouco nas instituições", afirma, sublinhando: "Ganhamos os 705 euros a trabalhar 37 horas semanais, mas fazemos feriados, fins de semana, natal, Páscoa. Trabalhamos todos os dias, 24 horas. Fazemos turnos rotativos. Portanto, [este trabalho] não é de todo bem pago." E acrescenta: "Também vamos ser penalizadas no futuro, porque trabalhamos até muito tarde. Vamos estar a trabalhar quando já fizermos parte da terceira idade e provavelmente a ganhar o salário mínimo. E vamos para a reforma com esse ordenado."

"Ganho cerca de 240 euros por mês. Passo a vida a assinar contratos"

"Ganho cerca de 240 euros por mês. Passo a vida a assinar contratos"

'Ana' prefere utilizar um nome fictício, tem 50 anos e há 11 que trabalha na cantina de uma escola primária. Diz que já perdeu a conta aos contratos de trabalho que assinou. Há cerca de duas semanas, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que "cerca de 10% de quem declara rendimentos do trabalho está abaixo do limiar de pobreza". No dia em que o governo começa a debater a agenda para o trabalho digno, a TSF dá a conhecer o caso de uma trabalhadora que já perdeu a conta aos contratos temporários de trabalho que assinou e que ganha pouco mais de duzentos euros por mês.

"Estas matérias são verdadeiramente o coração da regulação das relações laborais em Portugal"

"Como é que a Agenda do Trabalho Digno deixa intocada a violência laboral da troika?"

Para a UGT e o Bloco de Esquerda, a Agenda do Trabalho Digno deixa de fora atualizações aos valores das indemnizações por despedimento, que há vários anos já deveriam ter atingido a média europeia. A Confederação do Turismo de Portugal critica a "excessiva regulação através da intervenção do Estado no mercado de trabalho", e a Confederação dos Agricultores de Portugal considera "completamente extemporânea esta misturada de assuntos trazida agora para a discussão".