America Countdown... 81 dias. Kamala e a sociedade fragmentada

America Countdown... 81 dias. Kamala e a sociedade fragmentada

1 - A MELHOR ESCOLHA PARA VICE. Era a escolha mais forte e mais provável. Como escreveu Hillary Clinton, na reação à escolha de Biden, "ela já provou ser uma incrível servidora pública e uma líder inspiradora. Será uma parceira forte para Joe". Kamala Harris, senadora democrata da Califórnia desde 2017, ex-procuradora geral do estado mais populoso dos EUA, 55 anos, próxima de Barack Obama e ex-candidata nas primárias democratas, foi a (boa) decisão de Joe Biden para sua vice. Kamala ajudará Joe a fazer a ponte da área central e moderada à esfera mais esquerdista do Partido Democrata. Zangou-se com Joe no início das primárias mas isso já passou. Tem, genuinamente, uma boa relação com Biden e isso será fundamental nos próximos oitenta dias. Muitíssimo bem preparada (procurem no YouTube as audições que dirigiu no Senado na Comissão Mueller), a senadora Harris junta capacidade política a uma história pessoal que espelha a diversidade da América. É a primeira mulher negra a entrar num ticket presidencial nos EUA. A Foi uma grande escolha de Biden. Susan Rice não ofereceria tanta capacidade política, Karen Bass ou Keisha Lance Bottoms não tinham dimensão política nacional, Elizabeth Warren não era querida do movimento Sanders, Michelle Obama agravaria o "fantasma" do menor carisma do candidato em relação aos Obama. Mais relevante que tudo o resto: Kamala oferece ao ticket presidencial democrata a garantia de que, com um candidato a Presidente de 78 anos na tomada de posse, a vice tem preparação e força política suficientes para assumir a Presidência no segundo imediato a uma eventual necessidade. Há quem veja nela uma espécie de "versão feminina de Barack Obama": mistura de "coolness", mistura racial, carisma e muita capacidade política. Kamala é uma escolha potente para a vice-presidência.

America Countdown... 82 dias. Vacinas nacionalistas e trunfos improváveis

America Countdown... 82 dias. Vacinas nacionalistas e trunfos improváveis

1 - A MINHA PRESIDÊNCIA POR UMA VACINA. Vladimir Putin ultrapassou Trump e Xi Jinping pela direita e anunciou que a Rússia tem a vacina para a Covid-19. Sobram dúvidas sobre se será mesmo assim -- terá a "Sputnik V" cumprido já a Fase 3, onde se encontram os projetos da Oxford/AstraZaneca, a Sinovac (chinesa com São Paulo) ou a norte-americana Moderna? - mas a corrida entre as potências está ao auge, com Putin a garantir que a partir de janeiro de 2021 a população russa terá acesso à inovação (e vários países já na fila para comprar). Trump, com gestão dramática da pandemia (EUA um milhão de casos em duas semanas, já bem acima dos 5 milhões de infetados confirmados e muitos receios com novos surtos no regresso às escolas), precisa de um "gamechanger" e está a pôr nas fichas todas na vacina. Donald sabe que um novo agravamento pandémico ditará um reconfinamento que quase de certeza trará mais desemprego e novo recuo na recuperação económica. A estratégia agressiva da Administração Trump na compra antecipada de milhões de doses das possíveis vacinas (Sinovac e Sputnik à parte, por razões óbvias) mostra como António Guterres teve razão em falar dos perigos do "vacinonacionalismo" Enquanto isso, Donald Trump assinou quatro ordens executivas para alargar o período de apoio aos desempregados da pandemia (400 dólares/semana), decretar moratória sobre impostos para quem ganhe menos que 100 mil dólares/ano e facilitar acesso a empréstimos dos estudantes. Não deixa de ter a sua ironia histórica: a pandemia obrigou Trump a cumprir uma agenda social que chegou a prometer na campanha 2016 mas não cumpriu até março passado.