Timisoara: uma crónica de José Luís Peixoto

Timisoara: uma crónica de José Luís Peixoto

Em silêncio, os carros passam lá longe, sobre a ponte. Regressam a casa, terminam esta sexta-feira, terminam a semana. Há sempre alguma coisa que termina no outono e, por isso, esta hora é natural, a sua temperatura e o seu ritmo são adequados. Deixei a Praça Unirii, sob o olhar de edifícios elegantes e a indiferença de pombos atarefados com pequenos dilemas. Atravessei as ruas do centro, cruzei-me com gente, luz filtrada pelo céu, vitrinas de lojas a apresentarem produtos e, ao mesmo tempo, na longa superfície do vidro, a refletirem gente e luz. Escolhi o corredor longo e retilíneo […]

Lugar à janela: uma crónica de José Luís Peixoto

Lugar à janela: uma crónica de José Luís Peixoto

É uma viagem sem turbulência. Olho pela janela e, lá em baixo, vejo a Mongólia, planícies imensas de uma única cor. Este voo entre Chengdu e Amesterdão saiu à hora marcada, sem atraso, no início da manhã. Ao andarmos para trás na diferença horária, contra o tempo, resistindo‑lhe com os motores gigantes deste avião gigante, faremos toda a viagem durante o dia. Somos centenas de pessoas, uma maioria de chineses a falar alto. Se continuássemos sempre nesta direção, se o combustível nunca acabasse, talvez conseguíssemos contrariar a passagem do tempo para sempre, talvez nunca envelhecêssemos e, por consequência, nunca evoluíssemos. […]