O país que mais mata travestis

O país que mais mata travestis

São números conhecidos de ontem para hoje, constantes de um levantamento realizado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil: o ano passado foram assassinadas 124 pessoas transexuais no país. O jornal O Globo faz as contas: isto dá uma média de um homicídio a cada três dias. Não são números de um perecimento, de uma defunção associados, por acção de um qualquer vírus, a um determinado segmento da população. São números de um morticínio, de um coronavírus preso à cintura, ou à viril virilha dos matadores. O Brasil lidera, há mais de uma década, o ranking mundial do assassinato de pessoas trans. O site Poder360 sintetiza: "O Brasil ainda é o país que mais mata travestis." Em mais de quarenta por cento das mortes do ano passado foram usadas armas de fogo, mas tudo serviu para manter a média sinistra: arma branca, espancamento, asfixia. As três mais jovens trans assassinadas no ano passado tinham menos de 15 anos. Duas delas foram apedrejadas até à morte. Talvez fosse, qualquer delas, "um poço de bondade", todavia "feita pra apanhar, maldita Geni".