"O Estado nunca disse aos doentes com hemofilia que podiam trabalhar"

"O Estado nunca disse aos doentes com hemofilia que podiam trabalhar"

Sara Silva é assistente social na Associação Portuguesa de Hemofilia. Presta apoio a famílias e a doentes com hemofilia, por isso, são muitas as vezes que é confrontada com situações de pobreza e com baixo nível de literacia.

A maioria dos doentes recorre a Sara Silva porque necessita de ajuda para tratar de burocracias.

"Um dos problemas mais graves que temos no nosso país é as pessoas não compreenderem a informação que lhes é transmitida e, muitas das vezes, a informação que lhes é prestada porque não lhes explicam como é que devem aceder a determinados serviços", diz.

Sara Silva refere como exemplo a Segurança Social, onde "as pessoas com mais idade, além de terem dificuldades", acabam por ser descrentes do serviço.

"Eles têm prioridade no atendimento e, muitas vezes, não sabem exigir os próprios direitos. É muito grave", conta.

Sara Silva aponta ainda outro problema: existir uma associação da doença à incapacidade de trabalhar.