Flor ou tapete?

Flor ou tapete?

O guarda-chuva vermelho de que vos falei ontem , enorme papoila de perianto triste, ferido pelo vento e perdido em cama de ervas bravas, estava esta madrugada esmagado num chão de lama, pisado por centenas de sapatos expeditos. O Nuno Domingues fotografou-o, no obscuro vilipêndio. Ontem flor perdida, hoje passadeira na lama, não colhendo sequer o "verde secreto" de um olhar, este não é "o tapete que vai partir para o infinito" de que falava um poema do O'Neill. Passei por ele com movimentos desajeitados, evitando pisar a sua irremediável condição, sabendo que o meu gesto clemente era um apontamento vão.