A rádio vai em ondas como o mar

A rádio vai em ondas como o mar

Foi com os olhos, e com o olhar, que me prendi à rádio. Há muito tempo, homens de voz grave, muito colocada, permitiram que eu fizesse parte de uma tribo iniciática. Esses homens pareciam ter mergulhado numa profunda infelicidade sempre que atropelavam uma sílaba ou se confrontavam com um involuntário desmazelo na sintaxe. Praticavam, por vezes, uma sedução sinuosa que os levava a invocar uma vaga e misteriosa entidade a que chamavam "estimado ouvinte". O que diziam não fazia estremecer o mundo. Assim postos nas suas vozes de dizer horas certas com vénias guturais, devo-lhes um respeito reverencial pelo estúdio.

Fernando Ribeiro

Ser Político

Quando entro nos estúdios da TSF sou recebido tão bem que até fico um bocado sem jeito. Não é a primeira vez que acontece, mas penso que sempre sentirei essa alegria e nervoso indisfarçável porque a TSF é a rádio que ouço todos os dias e que cá, ou lá fora me mantém bem-informado sobre o que se passa no País e no estrangeiro, nas matérias culturais, sociais, desportivas e políticas que me interessam. Atenção que ninguém me encomendou nenhum elogio, mas sempre tive a sensação, desde a primeira visita ainda no Edifício em Alcântara (com o microfone gigante cá fora), que ali se passavam, diziam e resolviam coisas importantes.