A passividade perigosa

A passividade perigosa

Entrevistado pelo jornal El Pais, o filósofo e pedagogo espanhol José Antonio Marina denuncia o que considera o absoluto e dramático empobrecimento intelectual que decorre do mau uso do telemóvel. O grande pensador (com vasta obra editada, também em Portugal - e cito, apenas, "Ética para Náufragos", na Caminho, "O Medo", na Sextante, "A paixão do poder", na Esfera dos Livros) avisa para a "passividade perigosa" que está a ser criada pela tecnologia. Marina identifica uma "ideia destrutiva", inteiramente instalada. Essa ideia conduz a uma pergunta obtusa: "Para que vou aprender o que quer que seja se o posso encontrar na internet?". Ele insiste na ideia de que o uso dos telemóveis por alunos sob o efeito de uma síndrome compulsiva que os obriga a olhar o ecrã a cada três ou quatro minutos sem o que mergulham numa espécie de angústia, ajuda a criar dificuldades na leitura de um texto de dimensão mediana. "A tecnologia", considera José Antonio Marina, "está a tornar as coisas tão fáceis que se afigura quase insuportável ter de fazer um pequeno esforço. Queremos que uma aplicação resolva tudo. E isso conduz a uma passividade perigosa". Marina acaba de lançar em Espanha "A História Visual da Inteligência", um livro que percorre a história da Humanidade até à inteligência artificial. Um ponto central na reflexão do filósofo: o mundo da inteligência artificial maneja muito bem a parte cognitiva mas não a emocional, aquela que nos conduz à tomada de decisões.