Ambiente

Investigadores portugueses concluem que decisões têm menos força em grupos maiores

Dois investigadores da Universidade do Minho apresentam, esta semana numa revista científica internacional, um modelo matemático baseado na teoria dos jogos que demonstra que quanto maior for o grupo decisor menos força têm as decisões.

Dois matemáticos portugueses olharam para os fracassos nas negociações climáticas globais e perguntaram qual seria a fórmula do sucesso para esta diplomacia ambiental.

Os investigadores escolheram parâmetros bem definidos para este modelo matemático: o tamanho do grupo, qual o preço que as pessoas pagam para mitigar os efeitos do aquecimento global e qual a percepção do risco.

Jorge Pacheco, um dos autores deste trabalho do Departamento de Matemática e Aplicações da Universidade do Minho, disse que perante estes parâmetros existem muitos cenários possíveis.

«No caso em que a percepção do risco é elevada, para obtermos cooperação os grupos podem ser maiores do que quando a percepção de risco é baixa, porque grupos pequenos favorecem a cooperação», exemplificou.

Ou seja, «quanto mais pequenos são os grupos mais tolerantes são os indivíduos relativamente à percepção do risco», acrescentou.

Jorge Pacheco adiantou que «num contexto em que todo o universo de decisores se reúne apenas num grupo, o risco não desempenha qualquer papel e o resultado será sempre aquilo que é conhecido neste contexto como a tragédia dos comuns».

Este modelo matemático pode agora evoluir para outros parâmetros, como por exemplo a introdução de mecanismos punitivos para quem não cumprir o acordado.