Alterações climáticas

Povos indígenas receiam cowboys do carbono

Os representantes dos povos indígenas estão preocupados com o mecanismo das Reduções das Emissões de Carbono devido à Desflorestação e Degradação da Floresta, que passou a permitir que as empresas poluidoras negociem directamente com as comunidades locais.

Os representantes dos povos que habitam áreas de grande floresta temem que os seus interesses passem a não ser respeitados isto após ter passado a ser mais barato para países e empresas pagar para travar a desflorestação do que tornar mais amigas do ambiente as tecnologias que utilizam.

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Em noime da Associação Interétnica de Desenvolvimento da Selva Peruana, Roberto Espinoza pediu a mudança do mecanismo das Reduções das Emissões de Carbono devido à Desflorestação e Degradação da Floresta (REDD) para que se evitem a proliferação dos chamados «comboys do carbono».

«O tema do REDD tem de ser um processo transparente, o que não acontece quando se fala dos operadores privados. Os comboys do carbono estão a corromper o processo do REDD a nível mundial», acrescentou.

Roberto Espinoza defendeu mesmo que o Peru está a ser vítima desta situação, a par de países como a Papua Nova Guiné e a Indonésia.

Por seu lado, Sónia Guajajara, da coordenadora das associações indígenas da Amazónia, pediu a inclusão dos direitos neste novo mecanismo, que «não pode ser visto somente como uma questão de mercado».

«Tem de ser visto como um fortalecimento das culturas, como valorização do modo de vida dos povos indígenas», acrescentou.

À margem da Cimeira do Clima que decorreu em Durban, na África do Sul, este mecanismo passou a estar disponível para empresas poluidoras que queiram negociar directamente com as comunidades locais.

Os povos da floresta pretendem a redução das emissões por desflorestação, contudo, querem que isto não esteja misturado com o mercado de carbono, uma situação que está a levar que alguns chefes índios estejam a assinar papéis que não sabem ler.