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Mia Couto: Não sou um inventor de palavras

A TSF entrevistou Mia Couto momentos após saber da distinção com o Prémio Camões. O escritor moçambicano falou do prémio, da importância do pai, das palavras e da escrita.

Escreveu «Estórias Abensonhadas», mostrou-nos a «Terra Sonâmbula» e «A varanda do Frangipani».

«Cronicando», mirou «p país do queixa andar» e num piscar de olhos ilustrado sorriu para leitores de todas as idades com «o gato e o escuro».

No ano em que se completam três décadas sobre a publicação do primeiro livro, o moçambicano Mia Couto, 57 anos, acaba de ser distinguido com o Prémio Camões, o maior galardão para autores de lingua portuguesa.

Muitos leitores notam e admiram como Mia Couto refresca a língua portuguesa mas, em conversa com a jornalista da TSF, Isabel Meira, o autor confessou que dispensa o rótulo de inventor de palavras.

Mia Couto recebeu a notícia da atribuição do prémio «com muita alegria». Ainda assim, este era um galardão que não estava à espera.

Se pedirmos a Mia Couto que escolha um livro que guardou mais perto do coração, o escritor aceita dizer um nome mas com alguma resistência pelo meio.

«Já me esquecei de todos eles. Ao contrário do que se faz com os filhos, tenho de me esquecer deles. Para mim só existe este que está a ser feito agora«, adiantou o escritor, referindo pelo meio «Terra Sonâmbula» como um livro marcante na carreira.

O último livro publicado foi «A Confissão da Leoa» mas já há outra história na mesa do artesão.

«Este é um outro filho rebelde», diz o autor que ainda está à procura de um fio condutor para a história. «Apaixonei-me por uma parte da história de moçambique, que é a historia do império do Gungunhana, e queria contar a historia do ponto de vista deste personagem e de quantos personagens se ocultam nesta figura», conclui.