Morreu Joaquim Benite, um homem do teatro

O encenador Joaquim Benite morreu esta noite, aos 69 anos. Foi o fundador do Teatro Municipal de Almada e do Festival de Almada, um dos mais importantes da Europa.

A Companhia de Teatro de Almada, em comunicado enviado à TSF, esclarece que Joaquim Benite «faleceu na sequência de complicações respiratórias motivadas por uma pneumonia».

Joaquim Benite começou a carreira no teatro aos 17 anos como ator, mas foi na encenação que fez o seu caminho profissional. Esteve ligado ao movimento de renovação do Teatro português no período que antecedeu e que se seguiu à Revolução de 1974.

Nasceu em Lisboa em 1943 e começou a trabalhar como jornalista, aos 20 anos, no jornal República. Depois fez parte da redação do Diário de Lisboa e foi chefe de redação dos jornais O século e O diário. Foi crítico de teatro no Diário de Lisboa e em diversas revistas e publicações.

Em 1971, fundou o Grupo de Campolide e estreou-se na encenação. Em 1976, no Teatro da Trindade, transformou o Grupo de Campolide em companhia profissional. Dois anos depois, instala a companhia em Almada. O Festival de Almada - o maior do país e considerado um dos mais importantes a nível europeu - seria criado em 1984 e, quatro anos mais tarde, Joaquim Benite inaugura o primeiro Teatro Municipal da cidade.

O trabalho de Joaquim Benite ao serviço dos palcos foi reconhecido com vários prémios, entre os quais a medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura. Em França, o encenador português foi condecorado pelo Governo com o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras e, em Espanha, recebeu a comenda da Ordem de Mérito Civil atribuída pelo rei.

O encenador «preparava a estreia absoluta em Portugal de Timão de Atenas, de Shakespeare, que representaria o seu regresso à atividade após um período de ausência dos palcos por motivo de doença».

Entre os seus últimos trabalhos contam-se: Que farei com este livro, de José Saramago (2007); as óperas A clemência de Tito, de Mozart (2008), O doido e a morte (2008) e A rainha louca (2011), de Alexandre Delgado; O presidente, de Thomas Bernhard (2008); Timon de Atenas, de Shakespeare (Festival de Mérida, 2008); A mãe, de Brecht (2010); Tuning, de Rodrigo Francisco (2010); Troilo e Créssida, de Shakespeare (2010); e Hughie e Antes do pequeno-almoço, de Eugene O"Neill (2010).

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