Ciência

Neutrinos ultrapassam velocidade da luz, dizem investigadores

Uma experiência de um grupo de físicos põe em causa uma das teorias formuladas por Einstein. Eles descobriram que a velocidade da luz é, afinal, um limite ultrapassável.

A teoria da relatividade de Einstein assenta no princípio de que nenhuma partícula é mais rápida do que a luz e até agora nunca tinha sido contrariada.

Esta quinta-feira, um grupo de físicos do Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS, na sigla em francês), em França, revelou ter medido um neutrino, uma partícula elementar da matéria, à velocidade de 300,006 quilómetros por segundo.

Os autores da descoberta dizem que o resultado é surpreendente e totalmente inesperado.

O impacto do resultado é tão grande que os próprios autores da experiência esperam que outros físicos façam também medições para depois comparar os resultados. Mas, desde já, asseguram que a margem de erro do seu trabalho é muito pequena.

A agência AFP questionou o director do laboratório de astropartículas de Paris sobre esta descoberta. Pierre Binetruy confessou também ter ficado surpreendido, mas disse que mesmo que os resultados venham a ser confirmados isso não destruirá a teoria da relatividade de Einstein, ainda que possa reduzir o seu âmbito. O domínio de aplicação poderá ter de ser revisto.

Entretanto, contactado pela TSF, Carlos Fiolhais, professor de física da Universidade de Coimbra, mostrou-se céptico em relação a este resultado, considerando que «o mais certo é haver um erro».

«A velocidade parece por um bocadinho de nada maior do que a da luz, mas isso não pode ser, porque a teoria da relatividade de Einstein proíbe que haja algo mais rápido do que a luz», analisou o investigador.

«Essa experiência tem de ser verificada» e, mesmo que se confirme, deve ser repetida noutros locais do globo, como no Japão, defendeu.

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