Livros

Histórias para desmistificar a paralisia cerebral

No primeiro ano em que se assinala o Dia Nacional da Paralisia Cerebral, a TSF conversou com a autora e com uma das protagonistas de um livro que quer combater preconceitos, que será apresentado hoje na Casa da Música, no Porto.

O Livro «Por Acaso...» da jornalista da RTP Fátima Aráujo tem prefácio de João Lobo Antunes, e é editado pela Apuro Edições.

Conta a história de cinco jovens com paralisia cerebral que são casos de sucesso. Exemplos para combater preconceitos que a sociedade continua a ter em relação aos deficientes. Por cada livro vendido, 1 euro reverte para a Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC).

Em declarações à TSF, Fátima Araújo diz que os cinco casos contados no livro demonstram que a maior parte das pessoas tem uma opinião errada sobre a paralisia cerebral e que estes deficientes conseguem superar-se e ultrapassar muitas limitações.

A autora espera que o livro contribua para ajudar os leitores a saírem da sua zona de conforto e a deixarem de olhar para o outro com indiferença.

A TSF conversou também esta manhã com Ana Catarina Correia, uma das cinco protagonistas do livro. É ativista do movimento Deficientes Indignados, mestranda em Sociologia, na Faculdade de Letras do Porto, e está a fazer um mestrado sobre a intersectorialidade entre deficiência e género.

A paralisia cerebral é a deficiência motora mais frequente na infância. Caracteriza-se por um conjunto de défices permanentes dos movimentos e da postura, causados por algum distúrbio no encéfalo durante o desenvolvimento do feto na gravidez ou depois do nascimento.

Essas debilidades motoras são, em muitos casos, acompanhadas de perturbações de comunicação e de comportamento, perturbações sensitivas, de perceção e de cognição, por Epilepsia e por problemas musculares. Apesar disso, mais de 40% das pessoas com paralisia cerebral tem uma inteligência normal.

De acordo com dados disponibilizados pela autora, a paralisia cerebral ocorre em cerca de dois bebés por cada 1000 nados-vivos. Existem, em Portugal, mais de 20 mil pessoas com este problemaparalisia cerebral e 50% desses casos tem na sua origem nascimentos prematuros.