Judeu escapou à deportação porque teve uma «estrela boa»

Lucien Tinader não usou no braço a estrela que o identificava como judeu, mas teve uma «estrela boa» e escapou há 70 anos à deportação que levou de França perto de 100 mil pessoas para campos de concentração.

Hoje tem 77 anos. Naquela altura era um garoto. Em julho de 1942, quando mais de 13 mil judeus foram presos em Paris - na rusga do Velódromo de Inverno, levada a cabo pela polícia francesa, sob ordens do regime colaboracionista do marechal Philippe Pétain -, ele estava de férias da escola, no campo. Não deu por nada.

Percebeu «o que era, afinal» - um judeu - quando regressou, em outubro, a Paris. A mãe enviou-o para Orne, na Normandia, no noroeste do país. Lá, ele seria «o pequeno parisiense que tinha ido para o campo para matar a fome».

«Fiquei em casa de pessoas que aceitaram cuidar de mim sabendo as minhas origens, e arriscando-se a serem presas», conta à agência Lusa. Ficou nessa casa até ao fim da guerra, no verão de 1945, «com a condição de não dizer que era judeu e de ir todos os domingos à missa».

Lucien Tinader, hoje dirigente da associação Fundos de Memória de Auschwitz, criada, em França, há 25 anos, diz que se estima que, durante o período da ocupação alemã, 11 mil crianças francesas de origem judaica tenham sido acolhidas por famílias, ou por internatos, para se esconderem.

Este domingo, em Paris, o presidente francês, François Hollande, presta homenagem às vítimas da rusga do Vél D'Hiv, que aconteceu há 70 anos, diante do monumento construído em memória dos judeus deportados.

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