A Vida do Dinheiro

Horta Osório elogia António Costa mas lembra papel do anterior Governo

"O governo tem vindo a surpreender a maioria dos analistas de forma favorável". É o elogio do banqueiro ao executivo de António Costa.

Em entrevista exclusiva à TSF e Dinheiro Vivo o banqueiro português que é presidente do Lloyds Bank, elogia a forma como o governo tem conseguido "surpreender" analistas e economistas mas diz também que o trabalho que está a fazer é, em parte, graças "ao trabalho feito pelo governo anterior".

O governo está a resolver bem os problemas no setor financeiro?

Penso que primeiro, é importante que seja dito, e eu fico muito satisfeito de o dizer, porque o que é importante é que o país progrida e vá na direção correta. O governo tem tido uma grande habilidade política em termos de apoios na Assembleia da República para desenvolver as suas políticas, tem o enorme mérito de ter diminuído as tensões sociais no país e de ter aglutinado os portugueses dentro de um projeto menos crispado, e teve um enorme apoio do Presidente da República que eu gostava de destacar. E tem seguido na mesma direção, o que também gostava de destacar. Ou seja, estamos a tentar desenvolver o país, mas vivendo dentro das nossas posses. Vê-se que o esforço de contenção da dívida tem vindo a ser feito, a economia tem vindo a progredir muito, também apoiada pelo bom desenvolvimento externo - a UE está a crescer cada vez mais, os últimos números, 2%, são superiores ao crescimento dos EUA e as perspetivas são positivas, também baseadas nas eleições em França -, e temos tido um boom do turismo, importante, que tem ajudado ao desenvolvimento económico. Portanto, a minha avaliação global é que o governo, num curto espaço de tempo, tem vindo a ter um desenvolvimento positivo que eu espero que continue. É muito importante que haja um plano a médio prazo de redução de dívida, porque Portugal é uma pequena economia aberta e se tivermos de novo um ambiente internacional menos favorável, estamos numa posição muito frágil. Temos de ser como a formiga que poupa no verão para o inverno. Temos de começar a preparar agora um plano de redução da dívida em relação ao produto para aumentar o grau de fortaleza e resistência da economia.

Não existe para já esse plano...

Gostava de ver esse plano, era muito importante que existisse. E gostava de destacar que o que o governo tem vindo a desenvolver foi facilitado pelo bom trabalho que o governo anterior desenvolveu. O governo anterior teve de enfrentar uma situação muito difícil que tinha herdado do executivo anterior. Teve de tomar medidas muito impopulares e eu disse várias vezes que se podia discutir a intensidade dessas medidas mas não a direção, era imperativo que o país estava à beira da falência. Um trabalho que foi árduo, ingrato mas bem feito e que possibilitou, e bem, ao governo atual capitalizar isso e continuar a ir na direção correta. O primeiro ministro e o ministro das Finanças têm vindo a levar o país na boa direção, mas, repito, como dizem os ingleses, são early days e não podemos ser complacentes; ainda há muito trabalho a fazer e não vale a pena embandeirar em arco.

Há excesso de otimismo face do crescimento do primeiro trimestre (2,8 %)? O Presidente da República fala em 3,2% para este ano.

É bom que nos congratulemos com as boas notícias e como português é muito bom ver o país a crescer perto de 3% e o Presidente da República tem feito um trabalho extraordinário. Não só em termos de divulgação do país lá fora, no sentido de valorizá-lo, mas tem tido um papel excecional de apoio ao governo, naquilo que acha que são as direções corretas. São números positivos, mas isso não nos deve impedir de ver que dentro dessa tendência positiva temos muito a fazer. Estamos no início desta fase e é muito importante reduzirmos a fragilidade da economia portuguesa que é neste momento o enorme peso da dívida de 130% do PIB. temos de ter noção de que cada português cada português deve, em média, 1,3 três vezes aquilo que ganha por ano e é claro que, ao mesmo tempo, temos de aumentar aquilo que cada português ganha por ano. A média de rendimento por pessoa na UE é o dobro da média em Portugal. Temos muito a fazer, estamos no bom caminho mas não podemos ser complacentes.

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