A Vida do Dinheiro

Horta Osório: "Governador teve coragem quando ninguém levantava a voz a Salgado"

Em entrevista exclusiva à TSF e Dinheiro Vivo o banqueiro português, afirma que o Governador do Banco de Portugal foi o único a ter "a coragem de enfrentar Ricardo Salgado".

António Horta Osório, presidente do Lloyds Bank, sai em defesa do governador do Banco de Portugal. Ele diz que "não se pode confundir o polícia com o ladrão" e que hoje é fácil criticar (Carlos Costa) "tal como é fácil antever à segunda-feira o resultado de um jogo de futebol do domingo anterior".

Que avaliação faz do papel da supervisão dos últimos anos em Portugal tendo em conta o que aconteceu ao setor financeiro. Houve falhas de supervisão?

Quando as coisas correm mal, e houve os problemas que nós tivemos, por exemplo, nos bancos de que falámos, é óbvio que há uma responsabilidade enorme e que é coletiva. Quando uma coisa corre mal, obviamente que a supervisão tem aí uma responsabilidade muito importante, como tem o governo no caso em que tem intervenção direta. Diria que foi negativo aquilo que aconteceu em certos bancos, mas não devemos confundir, já disse isso várias vezes, o polícia com o ladrão. Ou seja, as situações que apontámos foram casos de polícia, como sabemos, e portanto a responsabilidade principal quando há desonestidade e problemas de polícia é de quem os pratica. Obviamente que o polícia tem a obrigação de impedir ou prevenir que essas coisas aconteçam.

São injustas as críticas que são feitas ao governador do Banco de Portugal? São críticas muito duras até por parte dos partidos que apoiam o governo e que já pediram muitas vezes que Carlos Costa se demita.

Todos nós podemos sempre fazer coisas melhores e acho que é um princípio bom para qualquer pessoa e que tento seguir sempre. É fácil acertar à segunda-feira nos resultados do futebol ao domingo. A supervisão podia ter feito coisas melhores, ninguém discute isso, nem o próprio governador. Mas eu gostava de destacar que o governador teve um papel fundamental no que se passou em relação a prevenir problemas maiores no grupo Espírito Santo. Os problemas foram muito significativos e o governador teve a coragem, naquela altura em que ninguém levantava a voz, apesar de alguns agora virem dizer que levantaram. Foi ele que tomou medidas frontais no sentido de tentar limitar ao máximo os problemas que estavam a acontecer. Não foi possível evitar a queda do banco, mas penso que teve um papel fundamental em efetuar as mudanças que foram implementadas há cerca de três anos.

Não era possível atuar mais cedo?

É sempre fácil dizer à segunda-feira o que é que a equipa que perdeu devia ter feito no domingo. Acho que o principal problema que aconteceu no BES é da responsabilidade de quem o geria e, depois, acho que o governador teve um papel fundamental em tomar medidas duras, difíceis, que ninguém estava a preconizar. Nunca saberemos o que teria acontecido se ele não as tivesse tomado.

António Horta Osório preside a um banco de Inglaterra que estava à beira da falência, que foi intervencionado pelo Estado inglês e que agora dá lucro e de que maneira. Esta semana o Tesouro britânico saiu por completo do capital de banco, depois do banqueiro português ter dado a volta às contas e o ter tornado o segundo maior banco do mundo em capitalização bolsista. Em entrevista, revela como fez o turnaround e avalia o estado da banca em Portugal e o crescimento económico do país.

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