entrevista TSF DN

"Não sei se o sistema de videovigilância do Min. da Defesa está a funcionar"

Em entrevista à TSF e DN, Azeredo Lopes rejeita qualquer responsabilidade política e garante que se limitou a fazer o que podia quando assinou autorizações de despesa para reparar o sistema em Tancos

O ministro da Defesa diz que não sabe se o sistema de vigilância do Ministério da Defesa está ou não a funcionar, nem tem que saber.

Em entrevista à TSF e Diário de Notícias, Azeredo Lopes rejeita qualquer responsabilidade política e garante que se limitou a fazer o que podia quando assinou autorizações de despesa para reforçar as cercas e reparar o sistema de videovigilância em Tancos.

Excerto da entrevista:

Já nos falou do que poderá ser feito para a frente. Ainda não falou da questão das responsabilidades. Esta inspeção...

Se não falei ou me exprimi mal ou é porque estava distraído. Falei da avaliação das responsabilidades no plano criminal, falei na avaliação das responsabilidades que está a ser desencadeada pelo exército, como aliás foi noticiado já foram instaurados processos disciplinares e num estado de direito costuma ser essa a forma de apurar responsabilidades.

A que patentes...?

Isso terá de perguntar ao exército. Como o exército entendeu não divulgar até ser exercido o princípio do contraditório, não serei eu a falar.

Esta inspeção detetou o que de facto se passou de errado naqueles dias?

Não detetou nem tinha de detetar. O que foi pedido à Inspeção-geral de Defesa Nacional foi que fizesse uma análise num prazo de 60 dias, agora num plano mais macro, que permitisse olhar quer às infraestruturas quer aos recursos humanos alocados, quer, neste caso, aos sistemas de informação e de gestão de informação e que olhando para o conjunto das instalações militares com estas características, que definisse o que tinha de ser feito. O que correu mal está dividido em dois planos: a investigação criminal - quem é que levou a cabo estes furtos...

Teve algum feedback dessa investigação?

Tivesse ou não, compreende que em nenhuma circunstância eu falaria desse assunto. Acho que há um dever de recato absoluto de um responsável político quanto à separação de funções. Tenho lido e acompanhado o que foi dito sobre já ter havido um alerta prévio sobre a hipótese de furto. Não vou em, nenhum circunstância, proteger... não vou pôr-me a desempenhar o papel de comentador relativamente a factos que estão fora da minha esfera.

Falou da separação de funções e de poderes, já falou do respeito pela gestão operacional, que não é consigo...

Não diga que não é comigo como eu eu tivesse a aligeirar carga.

Chegaram ao seu gabinete, alguns meses antes deste furto, pedidos de autorização de despesa para reparação da cerca e para substituição do circuito de vigilância vídeo interna do paiol. Não era suposto esses pedidos terem causado algum nível de alerta, se não em si, pelo menos em alguém do seu gabinete?

Não era. Posso repetir até à náusea o que já disse e posso mostrar os documentos para provar que não havia qualquer sinal de alerta nem qualquer advertência quanto a factos que justificassem...

Mesmo não havendo um alerta por parte das chefias militares, chegar ao gabinete do ministro um pedido de autorização de substituição de uma cerca de um dos paióis mais importantes do país, para a substituição de um sistema de vídeo que estava parado há meses. Isso não era suposto causar um nível de alerta no gabinete do ministro?

Explique-me porquê, que eu não estou a perceber.

Se um sistema de vigilância não está a funcionar é porque não...

O que é eu podia fazer? Ia lá colocá-lo eu? Não era autorizar a despesa, que foi o que eu fiz?

Mas isso não faz soar campainhas?

Campainhas? Era bom que os senhores fossem a Tancos para quebrar esta urgência das cercas. Existem cercas em Tancos. Suponho que os senhores tenham casa, fazem de vez em quando obras, isto não significa que a casa esteja a ruir. Quando alguém define um plano de intervenção é prolongado no tempo.

As normas NATO para instalações deste tipo implicam sensores de aproximação, de movimento, vigilância vídeo... Nada disso existia naquelas instalações.

As normas NATO, independentemente até da instalação de drones que permanentemente sobrevoassem as instalações, há um aspeto irredutível: não havendo sistema de vigilância, é um sistema de redundância. Suponho que saibam que, em vossa casa, se puserem um sistema de vigilância, isso não impede o furto. É um sistema para dissuadir e para depois avaliar responsabilidade. Convém que a porta seja forte e sólida. O sistema de vigilância serve de alerta para a hipótese de furto. Vamos até ao fim. Haja cercas, não haja cercas, haja vigilância, não haja vigilância, alguém tem de estar a vigiar os paióis. A invocação de recursos, da falta de recursos, etc., não é aceitável. Disse-o e repito-o. O ministro de defesa nacional, por estranho que possa parecer, não sabe se o sistema de vigilância está a funcionar. Eu não sei o sistema de vigilância está a funcionar no ministério de defesa nacional, não faço ideia mas tenho de presumir que sim e se não estiver a funcionar alguém me chamará a atenção para o facto.

As restantes munições já foram retiradas?

Ainda não foram retiradas. Está a ser estudado o processo de transferência e por enquanto há uma vigilância reforçada para que evidentemente, também não faltava mais nada, que em Tancos se repitam estas situações.

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