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"No limite, pode não ter havido furto nenhum"

Em entrevista à TSF e ao DN, o ministro da Defesa não se pronunciou sobre a investigação que está em curso na PJ Azeredo Lopes admite, no entanto, que possa não ter havido um assalto.

O ministro da Defesa volta a dizer que o assalto a Tancos é grave e avisa que, apesar de obsoleto, nas mãos erradas, o material roubado pode ser muito perigoso.

Em entrevista à TSF e Diário de Notícias, Azeredo Lopes adianta que mais de dois meses depois, o armamento que não foi roubado continua em Tancos. O ministro diz que ainda estão a ser estudadas as alternativas.

Sobre a investigação que está em curso pela Polícia Judiciária Militar, o ministro não se pronuncia. Azeredo Lopes diz que é muito importante saber o que se passou e admite, até, que possa não ter havido um assalto.

Excerto da entrevista:

Falou numa concentração deste tipo de instalações. Já está escolhido o sítio?

Há vários sítios que estão a ser ponderados, é uma questão operacional. Os paióis da Marinha são interessantes porque cumprem os tais requisitos que já referi. Pode ser Santa Margarida ou Alcochete mas isso espero para ver aquilo que o exército e os outros ramos, porque é uma ocupação conjunta de paióis que podem pertencer apenas a um ramo. Este é um aspeto premente do ponto de vista de tempo para se seguir adiante quanto a este assunto. Há outro assunto não menos importante que é a identificação daqueles 3 pilares onde se verificam fragilidades de recursos humanos, não necessariamente mais recursos é sobretudo melhor formação. Acabei por saber, ainda vou acabar especialista em paióis, que para a vigilância é preciso uma formação particular, um conjunto de rotinas e aí há melhorias a fazer. Há depois a questão da instalação propriamente dita, da proteção e vigilância e depois há finalmente a questão do sistema de gestão de informação que nos permita saber o que é que está onde, quando, etc., para se evitar que depois se possa discutir se houve ou não furto. No limite, pode não ter havido furto nenhum. Como não temos prova visual nem testemunhal, nem confissão, por absurdo podemos admitir que o material já não existisse e que tivesse sido anunciado... e isto não pode acontecer.

Mas está convencido de que houve furto?

Dou-lhe a minha palavra de honra: não estou nem deixo de estar convencido, só sei que desapareceu. Tenho de presumir, por bom senso e porque não sou dado a teorias da conspiração, que desapareceu algures antes de 28 de junho quando eu tomei conhecimento.

Deixe-me recordar as palavras do Presidente, que esta semana se mostrou preocupado com o tempo que estava a demorar a apurar os factos e as responsabilidades no caso de Tancos. Concorda que está a demorar demasiado tempo? Entendeu isto como uma crítica também a si?

Não, até porque o Sr. Presidente a teria feito diretamente a mim. Estivemos em Tancos para ver não só paióis mas também o regimento de paraquedistas.

Mas está a demorar muito tempo?

O Presidente diz-se preocupado com o tempo da investigação. Toda a investigação é algo que preocupa qualquer cidadão e que preocupa evidentemente o ministro de Defesa Nacional. Acompanho as palavras do Sr. Presidente, nem há como não acompanhar. Enquanto não se avançar na investigação e não tivermos uma noção mais clara do que aconteceu, vai pairar sempre aquela situação desagradável que há pouco referiam da impunidade, de não haver responsáveis. Era bom, mas não entendam isto como uma pressão à investigação, que pudéssemos ir fechando ciclos, ou seja, o exército está a fechar o seu através da instauração dos processos disciplinares, eu fechei aquilo que mais diretamente tinha comigo através da elaboração daquilo que era necessário para saber como melhorar. Como qualquer cidadão, espero que se possa vir a saber quem foi, porque foi e onde está o material.

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