
Amadeu Araújo/TSF
O fogo de Sortelha, o maior registado em 2015, deixou um morto, 2500 animais sem alimento, 5303 hectares de floresta destruídos e milhares de euros de prejuízo.
Ao alto, no castelo de Sortelha, já não há negro. Azenha, Caldeirinhas, Dirão da Rua, Quarta-Feira, Vale da Escaleira e Quintas da Ribeira da Nave estão pintadas a verde, regadas pela água abundante que renovou ervas e fenos.
Restam poucas árvores, negras e secas, teimosamente de pé. O inverno "foi generoso para os pastos, ruim para as árvores" conta José Freire, dirigente da Associação dos Criadores de Gado do Sabugal. A autarca de Sortelha também agradece o inverno que "renovou os pastos".
E foi o que valeu. Oito meses depois nada foi feito. Após a tragédia foram entregues forragens "e nada mais. Nem as oliveiras que sustentam, a fios de azeite, o povo foram repostas", desabafa Fernanda Esteves.
O inverno "fez crescer o mato na mesma proporção com que ignorou a prevenção", desabafa Rui Filipe, agricultor na Quinta do Peixoto.
José Afonso tem meio século de vida, outras tantas vacas e 150 hectares de pastos, verdes e viçosos que podem não sobreviver ao próximo verão. "Voltará a haver fartura de fogos".
O fogo deixou tudo negro e, temem os habitantes, pode voltar à serra. Voltemos à presidente da Junta de Freguesia de Sortelha e à esperança: "que nunca perdemos. Mas como nada foi feito, só nos resta rezar para que a tragédia não se repita".
Oito meses depois, os pastos na aldeia de Sortelha estão prontos a alimentar animais e, talvez, as chamas. O povo tem bem presente o muito que viu, o tudo que sentiu, aquilo que perdeu e, pressente, o que poderá voltar a perder.
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