Rui Rocha demarca-se de Montenegro e faz referência a Galamba: “escutas durante anos” são "inaceitáveis"

Manuel Fernando Araújo/Lusa
Rui Rocha falou depois da aprovação do programa político da IL. Montenegro foi o alvo
Não é o PS que está no poder, mas “as ideias socialistas continuam”. Foi o gatilho para Rui Rocha que não poupou Luís Montenegro no discurso de encerramento da convenção da Iniciativa Liberal (IL) Criticou grande parte das medidas anunciadas pelo Governo, desde as propostas para os jovens às medidas para as empresas.
Foi para os jovens que Rui Rocha falou, num primeiro momento, embora tenha criticado grande parte das medidas anunciadas pelo Governo da Aliança Democrática. Uma demarcação depois de um dia em que o único belisco a Montenegro foi o atraso na privatização da TAP.
“O que dirão os jovens deste país que têm um desemprego jovem de 23%. Em que as políticas anunciadas não permitem prever um crescimento económico com a força que nós desejávamos”, atirou.
Também na habitação, que afeta de forma mais incisiva os mais novos, Rui Rocha considera que Luís Montenegro “não apresentou nenhuma proposta para resolver o problema”. E compromete-se com propostas para “resolver a escassez de habitação e aumentar a oferta”.
Na passada quinta-feira, o Governo propôs uma redução do IRC para as empresas, mas para Rui Rocha é insuficiente, já que “nada se diz sobre as derramas”: “Significa que continuaremos a ter um IRC progressivo, que pune os que querem crescer.”
E sobre impostos, Rui Rocha garante que os liberais vão continuar a lutar por uma taxa única de IRS, que passou de “Imposto sobre o Rendimento para imposto sobre a idade”: uma crítica para o IRS jovem de Montenegro.
Num discurso de 20 minutos, Luís Montenegro não foi o único alvo. Também a justiça mereceu reparos do presidente da IL que se colocou ao lado de um insuspeito: João Galamba. Para Rocha “é inaceitável que tenhamos cidadãos, sejam eles quais forem, sujeitos a escutas durante quatro anos”.
"Um partido liberal não tolera esta situação", acrescentou.
A referência foi para o caso de João Galamba, escutado pela justiça durante vários anos, o que levou até à divulgação de escutas com António Costa. Mas surgiram também ataques aos que criticam agora a justiça e que têm um objetivo: “fazer com que aqueles que hoje estão na mira da justiça pareçam inocentes”.
"Percebo que toda esta tentativa de atacar o Ministério Público, de pôr em causa a justiça, de falar outra vez de uma reforma da justiça, que muitas vezes é um chavão para nada se fazer, tem um propósito", disse.
Rui Rocha em várias frentes, no final de um congresso estatutário, que deixou os estatutos na mesma. “Somos muito melhores a fazer programas políticos do que a aprovar estatutos”, gracejou. Só passou o programa político, por ampla maioria, mas Rui Rocha garante que a Iniciativa Liberal sai de Santa Maria da Feira num novo ciclo.