Em 2012 houve uma média diária de 80 mil pessoas em trabalho temporário, um aumento de mais de 5% em relação a 2011. 75% recebem menos de 600 euros por mês.
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Das cerca de 80 mil pessoas que em 2012 recorreram, em dado momento, ao trabalho temporário, 60 mil tiveram salários de no máximo 600 euros mensais.
Pouco mais de 30% receberam o salário mínimo de 485 euros, 43% tiveram uma remuneração entre esse valor e os 600 euros, e apenas 13% ganharam entre 600 e 750 euros. Neste meio salários superiores a 1000 euros são uma raridade: foram oferecidos a apenas 3% dos trabalhadores.
O relatório do provedor Vitalino Canas mostra também que ao longo dos anos tem vindo a aumentar o número de pessoas que recebem a remuneração mínima e a diminuir o dos funcionários que auferem um pouco mais, e que há uma diferenciação salarial clara em função do género e idade: as mulheres ganham em média 562 euros por mês - menos 33 euros do que os homens.
Em 2012 houve 350 mil contratos de trabalho temporários que representaram uma média de 80 mil pessoas por dia neste tipo de emprego, o que representa um aumento de 5,4% em relação a 2011.
No universo do trabalho temporário, que inclui 265 agências, a idade média está nos 33 anos, o vencimento médio está nos 582 euros, e mais de metade dos contratos tem uma duração média inferior a três meses.
A atividade profissional mais contratada é a dos serviços de segurança privada.
Em 2013, o provedor do trabalho temporário recebeu 102 pedidos de assistência, já retirando as repetições e redundâncias. O número representa uma quebra de 25 queixas em relação ao ano passado, o que pode ser interpretado como uma contradição, já que nos últimos anos o recurso ao trabalho temporário tem aumentado e os salários no setor têm diminuído.
O provedor Vitalino Canas avança algumas hipóteses para este fenómeno: a primeira é que se instalou a ideia generalizada de que os trabalhadores perderam direitos, dado que «houve várias alterações à legislação laboral, não especificamente no trabalho temporário, mas que também tem impacto no trabalho temporário, que levam a que os trabalhadores tenham uma ideia de menor número de direitos».
Por outro lado, Vitalino Canas admite que «em situações de crise e de escassez de trabalho, o sentido reivindicativo dos trabalhadores tende a atenuar-se uma vez que eles procuram sobretudo manter o seu posto e evitar situações de conflito».
Outro fator que pode levar a um menor número de queixas é, explica o Provedor, o facto de «as empresas de trabalho temporário terem hoje uma maior competição».
Uma competição, assegura Vitalino Canas, que provém das «alterações à legislação laboral, que trouxe uma houve flexibilização em várias áreas dessa legislação que levou a que os empregadores que dantes recorriam ao trabalho temporário hoje recorrem a outro tipo de vínculos laborais porque existe flexibilidade também noutras áreas. Isso leva a uma maior competição entre as empresas e isso leva-as a tentar ter um posicionamento no mercado mais cumpridor, mais rigoroso e que seja visto como credível pelos utilizadores».
O Provedor da Ética Empresarial e do Trabalho Temporário pode ser contactado através do site www.provedortt.org