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Aquarius ao fundo. Navio obrigado a deixar de operar por suspeitas de poluição

epa07042833 (FILE) - Crew members of the search and rescue vessel 'Aquarius' of NGO 'SOS Mediterranee' wave from the ship's bow as the vessel arrives in the port of Marseille, France, 29 June 2018 (reissued 24 September 2018). According to media reports on 24 September 2018, the Panama authorities have begun procedures to revoke the registration of the Aquarius, the last migrant rescue ship operating in the central Mediterranean. The vessel which is currently at sea will have to remove its Panama maritime flag when next she docks and cannot set sail without a new one. The operators of the vessel have accused Panama of bowing to pressure from the Italian government. EPA/GUILLAUME HORCAJUELO *** Local Caption *** 54450207 EPA

Associações responsáveis pelo navio acusam autoridades europeias de sabotagem de missões humanitárias.

É o fim de um navio humanitário que transportou milhares de migrantes. Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciaram esta quinta-feira que o navio Aquarius terminou as operações devido às acusações de despejo de "lixo tóxico" junto a portos marítimos no sul de Itália.

O navio, que é também responsabilidade da SOS Mediterranée, estava bloqueado no porto de Marselha desde o final do mês de setembro, altura em que perdeu a bandeira e registo panamiano. O Aquarius era o último navio a operar a partir da Líbia, um ponto-chave na partida de muitos africanos subsaarianos em direção à Europa.

Em comunicado, a responsável dos MSF no Reino Unido, Vickie Hawkins diz que este é "um dia negro. Não só a Europa falhou em providenciar recursos de busca e salvamento, como também sabotou ativamente a tentativas de outros em salvar vidas."

"O fim do Aquarius significa que mais vidas serão perdidas no oceano; mais mortes evitáveis ficarão sem testemunhas ou registos. É mesmo um caso de 'longe da vista, longe do coração' para os líderes do Reino Unido e da Europa, enquanto homens, mulheres e crianças sucumbem", lê-se.

Responsáveis negam resíduos tóxicos

A acusação de despejo de resíduos médicos potencialmente perigosos foi feita em novembro deste ano por magistrados italianos. O responsáveis pelo navio negaram qualquer ação ilegal e apontam o dedo à justiça italiana, acusando-a de tentar criminalizar missões humanitárias de busca e salvamento.

Só em 2018, estima-se que tenham morrido mais de duas mil e 100 pessoas no Mediterrâneo, provenientes sobretudo de território líbio.

Gonçalo Teles