Sociedade

Graffiti: vandalismo ou arte? Quem é que decide?

LBC Soldjah actua durante performance musical "Válvula" de António Jorge Gonçalves e LBC Soldjah, onde o graffiti e tudo à volta vão estar em destaque no teatro LU.CA, em Lisboa, a partir de sexta-feira, no âmbito do ciclo “Porque desenhamos nas paredes?”, que inclui um espetáculo com rap e desenho digital ao vivo, no teatro LU.CA- Teatro Luis de Camões, 30 janeiro 2019. O ciclo, da responsabilidade do desenhador António Jorge Gonçalves, a convite da diretora do LU.CA – Teatro Luís de Camões, foi pensado para os adolescentes, “um buraco negro das programações” dos teatros. Para o desenhador, em declarações à Lusa, o graffiti é um tema que “remete para diversas questões”, que tenta explorar neste ciclo. (ACOMPANHA TEXTO DO DIA 31 DE JANEIRO 2019). ANDRÉ KOSTERS / LUSA Paulo Spranger/Global Imagens

Porque desenhamos nas paredes? É esta a pergunta lançada pelo artista plástico António Jorge Gonçalves e pelo rapper Flávio Almada (LBC Soldjah) num ciclo que arranca esta sexta-feira no LU.CA - Teatro Luís de Camões. "Válvula" é um espetáculo que parte da história do graffiti para levantar questões sobre o espaço público ou o lugar que ocupamos na sociedade.

Num canto do palco, António Jorge Gonçalves conta a história de quando os homens começaram a escrever nas paredes. "Em África, há 30 mil anos, uma pessoa, igual a nós, encosta a palma da mão a uma rocha. Enche a boca com um pó colorido feito de pedra desfeita, mistura-o com a saliva e sopra, criando a primeira pintura a spray da Humanidade - o primeiro graffti".

Das pinturas da Pré-História, passando por uma frase pintada à mão numa casa em Pompeia há 3 mil anos - "Lucios pinxit" ("Lucios pintou isto"), por uma inscrição viking numa pedra da Basílica de Constantinopla - "Alvedan escreveu estas runas", até às assinaturas, os tags, que ocupam as paredes das cidades de hoje. "Gostamos de escrever em paredes. Precisamos?".

"Válvula", o espetáculo criado pelo artista plástico António Jorge Gonçalves e pelo rapper Flávio Almada (conhecido por LBC Soldjah), parte da história do graffiti para levantar questões. Porque desenhamos nas paredes? É vandalismo ou arte? O graffiti dentro de uma galeria continua a ser graffiti? Os murais encomendados para os bairros são uma tentativa de melhorar a qualidade de vida ou uma forma de camuflar outros problemas? O espaço público é mesmo público? Quem estabelece as regras? E são essas regras eternas?

Em cima do palco, uma tela vai transmitindo imagens e traços desenhados em tempo real por António Jorge Gonçalves que nos guia nesta viagem. Flávio Almada junta a música dele, criada especialmente para o espetáculo e cantada em criolo.

O espetáculo "Válvula" estreia esta sexta-feira e está em cena até 10 de fevereiro no LU.CA - o Teatro Luís de Camões, na Ajuda. Tem sessões para escolas e também para famílias.

"Válvula" está inserido no ciclo "Porque desenhamos nas paredes", que inclui também oficinas de desenho, conversas e uma exposição. A programação pode ser consultada aqui.

Joana Carvalho Reis