Pedro Pita Barros entende que substituir hospitais que estão em rutura com ADSE será mais fácil nas consultas.
"Substituir os atuais operadores privados na componente de consultas provavelmente não é demasiado complicado, porque não exige um grande investimento", antevê o investigador Pedro Pita Barros. No entanto, "na parte de cirurgias, nomeadamente algumas que já são praticadas nos hospitais privados e nos grupos que agora denunciam as convenções, isso já seria mais complicado", afirma.
O especialista em Saúde explica que este é um aspeto importante quando "fazer muito é importante para fazer bem, em que precisam de ter economia de escala, de volume, em que o cirurgião precisa de repetir para fazer melhor".
"Não é compatível com ter pequenas clínicas a fazer tratamentos diferenciados, portanto, aí poderia haver alguma dificuldade adicional da ADSE em fazer a substituição".
CUF, Luz Saúde e Grupo Lusíadas entraram em rutura este mês com a ADSE, depois de o estado ter acionado pela primeira vez em dezembro as regularizações com retroatividade. Ao abrigo deste mecanismo, a ADSE pede o reembolso do valor que tenha sido faturado acima dos preços médios de medicamentos ou cirurgias praticados pelos privados. Está em causa a devolução de 38 milhões de euros relativos a 2015 e em 2016.
Pedro Pita Barros diz que a solução terá de passar "contratos ou convenções sem esta cláusula de ajuste retroativo" e por "mecanismos de atualização de preços de parte a parte que sejam mutuamente vantajosos".
Pedro Pita Barros realça ainda que os beneficiários têm toda a liberdade de promover a ADSE, mas esse papel não cabe ao Estado.