Lisboa, Porto e Vila Real assinalam, este domingo, às 15h30, o Dia Europeu da Vida Independente com marchas que comemoram conquistas, mas também sublinham que há muito por fazer em termos de cidadania.
"Por um lado, é uma marcha de orgulho pela nossa diversidade e diferença, e sublinhar que esta nossa diferença deve ser celebrada e muito respeitada", assinala Ana Catarina Correia, coordenadora da delegação do Porto do Centro de Vida Independente (CVI).
No entanto, acrescenta, esta é também "uma marcha de reivindicação porque, além de ser o Dia Europeu da Vida Independente, faz este ano precisamente uma década que Portugal ratificou a Convenção das Nações Unidas sobre os direitos das pessoas com deficiência, onde ainda há muito por cumprir no exercício de direitos básicos".
Ana Catarina Correia dá exemplos práticos como "o acesso às ruas, aos edifícios públicos, aos transportes públicos, à educação, ao emprego, à cultura, à informação", entre outros, áreas em que em pleno século XXI as pessoas com deficiência não têm os seus direitos garantidos.
A poucos dias do início da campanha para as eleições europeias, a coordenadora do CVI recorda que este é mais um momento da vida dos cidadãos que se torna uma dificuldade para quem tem uma deficiência.
"Nós estamos amplamente excluídos do direito de voto e particularmente ao exercício do direito de voto confidencial e informado. A grande maioria das pessoas com deficiência motora não consegue aceder aos espaços de voto autonomamente e mantendo o seu voto confidencial. (...) Depois as pessoas com algum tipo de incapacidade sensorial como ver ou ouvir", exemplifica.
Sobre os Centros de Apoio à Vida Independente (CAVI) que vão avançar num projeto-piloto que vai durar três anos, Ana Catarina Correia é categórica e afirma que "os projetos-piloto que Portugal vai agora implementar são insuficientes e até discriminatórios em alguns domínios".
Nesta altura, estão aprovados 29 centros nas regiões Norte, Centro e Alentejo; no Algarve foram aprovadas duas candidaturas mas em Lisboa as candidaturas estão atrasadas seis meses.
Para a coordenadora do CVI, o objetivo é simples: "queremos que Portugal crie condições efetivas para que as pessoas com deficiência exerçam a sua cidadania, os seus direitos mais elementares, como viver em comunidade e poder escolher quem são os seus assistentes, quem nos cuida, viver autónomos da família, ter uma habitação, etc".