Europeias 2019

Rádios transmontanas boicotam eleições Europeias

Pixabay

O boicote prende-se com o facto de não ter sido atribuído às rádios locais nacionais nenhum tempo de antena.

A CIR - Cadeia de Informação Regional, composta por sete rádios locais transmontanas, não vai fazer a cobertura das eleições europeias. O boicote prende-se com o facto de não ter sido atribuído às rádios locais nacionais nenhum tempo de antena. Assim, recusam-se a fazer qualquer tipo de notícia sobre a atividade dos candidatos em Vila Real e Bragança.

"Entendemos que não é justo, as rádios locais serem colocadas de lado naquilo que é a atribuição dos tempos de antena", diz Paulo Afonso diretor da Rádio Brigantia de Bragança.

A Brigantia é uma das cinco rádios do distrito de Bragança que conjuntamente com mais duas de Vila Real compõem a Cadeia de Informação Regional que cobre toda a região transmontana e que já funciona há mais de 20 anos. Ali, nos próximos dias de campanha para as eleições europeias não vai ser ouvido nenhum candidato ao parlamento europeu.

"O boicote vai ser feito às ações de campanha por parte dos candidatos que vêm às regiões falar até de problemas que têm a ver com as nossas regiões, a partir daquilo que são os desígnios da Europa, e nós não vamos fazer cobertura"

Paulo Afonso acrescenta que as rádios locais, de norte a sul, vivem os dias a contar tostões "para poderem sobreviver" e não entendem esta atitude de não-atribuição de tempos de antena. "Como sabemos os tempos de antena são pagos e é uma ajuda importante sob o ponto de vista financeiro."

As rádios ficaram a saber desta atitude através da associação que as representa porque, acrescenta o diretor da Brigantia, "o Estado não fala connosco diretamente. Mais uma vez fomos colocados de lado".

E o desconforto com a atitude já não se fica só pelas rádios transmontanas. "Coimbra, Viseu e Évora já se associaram ao nosso movimento. Como isto ainda tem poucos dias certamente mais rádios se vão associar".

Esta foi a gota de água, salienta Paulo Afonso, depois de sistematicamente o estado exigir obrigações que sufocam estas pequenas empresas de comunicação. "Ao fim do ano, tudo somado, dava para pagar a mais um ordenado".

Em Trás-os-Montes não haverá cobertura e o país das rádios locais parece preparar-se para não dar voz às eleições europeias.

À TSF, a CNE diz que não conhece este caso em concreto, mas que a lei apenas prevê tempos de antena em rádios nacionais e regionais. Adianta ainda que pede a lista dessas rádios à entidade reguladora para a comunicação social.

Afonso de Sousa