Sociedade

Festival Iminente acusado de descargas de "esgoto a céu aberto"

A organização do festival bloqueou os comentários naquela rede social Mário Cruz/Lusa

Na origem do problema, estará uma "rutura num coletor público". A Câmara Municipal de Lisboa desresponsabiliza a organização do Iminente, que terá tido os devidos cuidados com as casas de banho.

Foram divulgadas imagens que expõem uma encosta em Monsanto suja com aquilo que o autor do vídeo, Frederico Nunes, diz ser descargas dos esgotos no festival Iminente.

O ciclista denunciou o ocorrido no domingo, durante o certame que decorreu em Monsanto, Lisboa, entre 19 e 22 de setembro. No vídeo, Frederico Nunes, que se encontra atrás de um "antigo restaurante abandonado", relata que observa lixo de esgotos, proveniente das "casas de banho", restos de papel higiénico e luvas de plástico, as quais deveriam "terem sido usadas pelo pessoal das equipas da comida".

As críticas não ficaram por aqui. De acordo com o Correio da Manhã, que avança com a notícia, Frederico Nunes faz ainda referência a um cheiro incomodativo: "Não vos passa pela cabeça. É esgoto a céu aberto."

Estas imagens foram publicadas na página de Facebook do evento, mas a partilha já foi eliminada. No entanto, na sua página pessoal, Frederico Nunes garante que tentou pedir esclarecimentos junto de um "responsável pelo evento", mas a sua entrada foi vedada.

A organização do festival bloqueou os comentários naquela rede social e ainda não explicou o que aconteceu, mas a Câmara Municipal de Lisboa (CML) já tratou de esclarecer que esta situação se deveu à "existência de uma rutura num coletor público, com a presença de resíduos e de um forte odor junto da encosta circundante ao parque de estacionamento".

De acordo com a câmara, uma equipa de funcionários municipais iniciou, no mesmo dia da denúncia, os "procedimentos para limpar o terreno através da remoção das terras afetadas, que se encontram numa zona de difícil acesso", e foi garantido que não há "qualquer impregnação e contaminação do solo".

"Ao contrário do que tem sido referido, a presença de resíduos no terreno não está ligada ao uso das casas de banho, que são respeitadoras das mais elevadas normas ambientais, certificadas pela CML", refere ainda a câmara, no esclarecimento da página de Facebook. "Os serviços de saneamento da CML estão, neste momento, a analisar as causas para a rutura do coletor, que tinha sido alvo de uma vistoria a 10 de agosto de 2019."

Quercus pede atuação da Inspeção do Ambiente

Depois da denúncia de Frederico Nunes, a Quercus exige a atuação da Inspeção do Ambiente e da Câmara Municipal de Lisboa para apurar responsabilidades deste crime ambiental em pleno Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa.

"Importa agora apurar responsabilidades e punir quem provocou tal atentado ambiental, pelo que a Quercus pediu já a atuação da Inspeção do Ambiente e da Câmara Municipal de Lisboa para este efeito", pode ler-se no comunicado da Quercus.

Catarina Maldonado Vasconcelos