Sociedade

Em Elvas o teatro sai à rua para desvendar o património

O projeto nasceu a pensar nos alunos espanhóis que estão aprender Português na vizinha cidade de Badajoz Roberto Dores/TSF

O Mistério da Rainha da Fronteira é o argumento para uma visita à história e aos monumentos de Elvas. Os personagens saem à rua para guiarem os turistas e fazem representações, em que explicam o que estão os visitantes a ver.

É à boleia do teatro que por Elvas se dá a conhecer o património monumental da cidade classificada pela UNESCO. A saga da procura da Rainha da Fronteira dá argumentos aos turistas para se cruzarem com ruas históricas, monumentos ou igrejas.

O roteiro surge pela mão da Associação Juvenil Arkus e contempla as igrejas de Nossa Senhora da Assunção, antiga Sé de Elvas, Domínicas, Alcáçova, Pelourinho, Castelo, Aqueduto da Amoreira, terminando no Forte da Graça. A princesa é a cicerone da comitiva, mas a interpretação das personagens vai explicando o que os turistas estão a ver.

Raquel Leal é uma das atrizes deste elenco criado em 2016. Diz que o projeto nasceu a pensar nos alunos espanhóis que estão aprender Português na vizinha cidade de Badajoz, mas cresceu até aos dias de hoje. "Continuamos a ter muitos espanhóis, mas também já somos procurados por portugueses. Ainda esta semana tivemos uma excursão de idosos de Sesimbra", revela.

Carlos Beirão, presidente da Arkus, destaca o dinamismo que a iniciativa confere à cidade. "Traz muitos visitantes que até já conhecem Elvas, mas apenas por alguns dos melhores restaurantes da cidade. Agora podem ficar a conhecer a história de Elvas, e há muitas pessoas que já anunciaram que vão regressar para mostrar isto a outros familiares e amigos", revela o dirigente.

Sete euros por pessoa pagam toda a visita, com entradas garantidas nos principais monumentos da cidade, ainda com direito à passagem pela sede da Arkus onde a associação serve um lanche retemperador, antes de a comitiva descer até ao Aqueduto da Amoreira. E é em plena encosta que duas personagens dão conta da obra que por ali está. São 8,5 quilómetros de extensão e 843 arcos, tendo começado a ser construído em 1537, terminando em 1620.

Entre a comitiva, maioritariamente formada por espanhóis, elogia-se o projeto que apresenta a cidade no formato teatralizado. Elvas já foi a "Chave do Reino" na defesa estratégica contra Espanha, mas hoje são os próprios espanhóis que se aliam na promoção.

"Vimos a Elvas regularmente, mas apenas para fazer compras. Desconhecia muito do que vi hoje, e a possibilidade de conhecer a história e os monumentos com uma visita guiada e teatralizada é muito bom", resumia Carmelo Sayago, enquanto Angela Bru, outra visitante, elogiava a companhia de teatro. "Conseguiram explicar muitas coisas apenas com os seus diálogos", sublinhava.

Já no Forte da Graça, lá no alto, onde o Mistério da Rainha da Fronteira vai ser revelado, as personagens continuam a explicar detalhes da fortificação, erguida entre 1763 e 1792, que resistiu às tropas espanholas durante a chamada "Guerra das Laranjas" (1801) e, mais tarde, no contexto da Guerra Peninsular, às tropas do general Nicolas Jean de Dieu Soult. Durante largos anos foi utilizado como prisão militar.

Roberto Dores